Esta semana houve feriado em Portugal, um dos que ainda se mantém. Festejámos o dia da liberdade, os líderes discursaram sobre crise, austeridade e crescimento. Não sei se o espírito de Abril está ou não esquecido, mas o facto é que pouco se falou disso.
A Europa deve relembrar acerrimamente estes ideais, sobretudo numa altura destas. Esquecer é bom remédio para se cometer erros do passado. O descontentamento geral está a ser capitalizado por movimentos com ideias pouco democráticas. A extrema-direita está a ganhar eleitorado sobretudo no centro e norte Europeu.
Na Holanda chegaram ao Governo e têm deputados no Parlamento Europeu. Isto sabendo que o seu líder considera a adesão da Turquia à UE uma “islamização catastrófica” da Europa e compara o Corão ao Mein Kampf de Adolf Hitler.
Na Hungria o caso parece mais grave. No ano passado um deputado do partido ultranacionalista Jobbik (17% nas últimas eleições) propôs que se registassem todos os Húngaros de origem judaica por serem uma “ameaça à segurança nacional”. Um dos fundadores do partido conservador Fidesz, que se encontra, desde 2010, no poder e com maioria absoluta (!), definiu os ciganos como “animais que não deviam existir” e escreveu que o atropelamento de uma criança cigana é aceitável, desde que “não se pense em parar e se acelere a fundo”. Tudo isto num país em que recentemente foi ratificada uma reforma constitucional que integra no documento oficial da nação condenações ao comunismo e à homossexualidade, limita os poderes do Tribunal Constitucional e ilegaliza os sem-abrigo (incorrem em pena de multa ou mesmo prisão).
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domingo, 28 de abril de 2013
sábado, 16 de março de 2013
Portugal tira negativa no 7º teste do período
Dia em que o Ministro das Finanças vai falar é dia de cobrança. É daqueles dias em que devia ser decretada a gratuidade dos antidepressivos. A coisa já nem lá vai com ferraduras na porta.
Esta sexta-feira confirmaram-se os cenários que toda a gente trazia para cima da mesa, exceto o governo e a Troika, curiosamente são estes que nos governam. A falibilidade das previsões é gritante, e não chega atirar culpas para fatores exógenos. Até porque várias instituições fizeram as mesmas previsões, com acesso aos mesmos dados, e aproximaram-se muito mais da realidade. Parece que Vitor Gaspar tem de mudar de modelo.
A única utilidade do escrutínio internacional é não permitir que os governos utilizem contabilidade criativa para nos atirar areia para os olhos. E é aqui que entram aqueles números assombrosos. O défice do ano passado fechou afinal nos 6,6% (eram 4,9% no final do ano), o desemprego para 2013 afinal será de 18,2% e, a certa altura, tocará nos 19% (era 16,4% por altura da 5ª avaliação), a recessão, para o próximo ano, é afinal de 2,3% (era cerca de 1% na altura da construção do orçamento). Esta disparidade ainda se deve refletir melhor num orçamento de estado completamente desfasado da realidade (para pior). Estamos, portanto, a gastar mais do que devíamos, daí que agora faça imenso sentido o famoso corte de 4000 milhões a incidir sobre a despesa do estado.
É inacreditável que a oposição não consiga capitalizar o descontentamento crescente numa sociedade em queda livre. Esta sétima avaliação foi, por isso, uma espécie de lufada de ar fresco na cena política portuguesa. E nem só para a oposição, até já Cavaco Silva aparece em público (imagine-se!) a demarcar-se do governo. Mas, ainda melhor, foi o escudo utilizado pelo PSD, Miguel Frasquilho teve coragem de afirmar que o programa de ajustamento original é que afinal foi mal desenhado. Será que já se esqueceu quem negociou e assinou esse documento? Acho que ninguém se esquece d’As Aventuras de Teixeira & Catroga. Se era só para inventar uma desculpa, podia ter ido por uma mais clássica e mais difícil de refutar, as contas estão erradas porque o cão comeu as folhas do Gaspar!
sexta-feira, 8 de março de 2013
Juventude, Crise e Europa
São o sound bite do momento, até porque a correlação entre estes três domínios é decisiva. A juventude é a chave para o dinamismo de uma europa envelhecida e a crise é uma consequência, não uma causa. Essa, no entanto, não tem sido a visão preconizada por governos e instituições europeias e, muito menos, a estratégia. E se a Europa já está a pagar a miopia da última década, mais irá sofrer no futuro se não se souber alinhar com o desenvolvimento. Todos os dias o mundo pula e avança, e uma função, que foi outrora uma reta previsível, é agora exponencial. Os paradigmas mudam todos os dias, em todos os cantos do mundo, ou seja, a todo o momento, o plano que foi traçado tem de ser atualizado. Isto para quem, dentro da Europa, planifica, de facto, alguma coisa.
Em Portugal o desemprego jovem está próximo dos 40%, urge a definição de uma política sustentada, mais do que programas como o Impulso Jovem. Programas são complementos da política e não a política em si mesmo, erro comum em Portugal.
Draghi falou esta semana sobre o tema e disse algo bastante evidente, algo que as centrais sindicais se esquecem quando defendem acerrimamente os direitos garantidos dos que têm trabalho. Como tudo na sociedade, existe um equilíbrio, um trade-off entre políticas. E um país onde o peso da flexibilização está todo do lado dos jovens, não é um país justo. Não existe uma central sindical da juventude, mas desengane-se quem pensa que a sociedade não se reorganiza. Tal como a água se agita num copo até atingir o equilíbrio, a sociedade também funciona do mesmo modo. E num grupo em crescendo, cresce também o poder que o representa. Aliás, vemos isso nas manifestações recentes, a orgânica das coisas está a mudar.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Renúncia e Sucessão Papal, Mourinho aparece melhor colocado do que Madonna, Oprah Winfrey ou Balotelli
O mundo pensou que era só latim do Papa, até que, quem sabia latim, percebeu que era a despedida. A primeira renúncia Papal em 600 anos. “Foi como um raio num dia de céu limpo”, foi a frase que ficou.
Um Papa conservador, tradicional de costumes, um intelectual doutor da teologia. Foi por isso considerado por muitos o antagónico do que representava João Paulo II. Não fez de facto nenhuma reforma profunda na igreja, aliás pareceu recuar no que o seu antecessor já tinha modernizado. Urge a necessidade de um novo posicionamento da igreja, sob pena de se alargar o atraso que já existe para o ritmo com que a sociedade se desenvolve.
Posições como a que teve em 2009 na sua primeira visita a África, "o VIH/sida é uma tragédia que não pode ser ultrapassada apenas com dinheiro, nem através da distribuição de preservativos, os quais podem ainda agravar mais o problema", é um anacronismo que não tem razão de ser.
Ficam também alguns erros de percurso, como em Ratisbona, em que julgou a moralidade de Maomé, quando o catolicismo viveu tantos e tantos anos de torturas e chacinas.
Findo este período que muitos apelidaram de transição, fala-se da sucessão. As casas de apostas já lançaram os nomes, os candidatos de África e América Latina são os melhores colocados. No fundo, é aqui que estão 70% dos católicos do mundo. O velho continente já não tem o peso que outrora teve na discussão. Na frente, surge Peter Turkson, do Gana, com uma odd de 2,5 (bet365). Parece bem colocado para ser o escolhido para os apostadores papais. As casas de apostas apresentam ainda nomes que, embora não sendo elegíveis para um pontificado, parecem entrar nas contas. Nestes outsiders, Mourinho aparece melhor colocado do que Madonna, Oprah Winfrey ou Balotelli.
Um Papa conservador, tradicional de costumes, um intelectual doutor da teologia. Foi por isso considerado por muitos o antagónico do que representava João Paulo II. Não fez de facto nenhuma reforma profunda na igreja, aliás pareceu recuar no que o seu antecessor já tinha modernizado. Urge a necessidade de um novo posicionamento da igreja, sob pena de se alargar o atraso que já existe para o ritmo com que a sociedade se desenvolve.
Posições como a que teve em 2009 na sua primeira visita a África, "o VIH/sida é uma tragédia que não pode ser ultrapassada apenas com dinheiro, nem através da distribuição de preservativos, os quais podem ainda agravar mais o problema", é um anacronismo que não tem razão de ser.
Ficam também alguns erros de percurso, como em Ratisbona, em que julgou a moralidade de Maomé, quando o catolicismo viveu tantos e tantos anos de torturas e chacinas.
Findo este período que muitos apelidaram de transição, fala-se da sucessão. As casas de apostas já lançaram os nomes, os candidatos de África e América Latina são os melhores colocados. No fundo, é aqui que estão 70% dos católicos do mundo. O velho continente já não tem o peso que outrora teve na discussão. Na frente, surge Peter Turkson, do Gana, com uma odd de 2,5 (bet365). Parece bem colocado para ser o escolhido para os apostadores papais. As casas de apostas apresentam ainda nomes que, embora não sendo elegíveis para um pontificado, parecem entrar nas contas. Nestes outsiders, Mourinho aparece melhor colocado do que Madonna, Oprah Winfrey ou Balotelli.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Mercados, Défice e o PS
Chega ao fim mais uma semana de muita turbulência política. Iniciou-se com o governo em alta e a oposição a continuar com os tiros nos pés. A janela que se abriu com o sucesso da ida aos mercados e o cumprimento (artificial em boa verdade) do défice para este ano trouxe uma lufada de ar fresco e margem de manobra ao executivo. Vítor Gaspar pôde finalmente pôr verdes nas suas folhas de excel.
A realidade é que existem duas leituras. Por um lado, significa o quebrar de uma barreira psicológica que, pelo menos, permitiu que empresas portuguesas se financiassem também, nomeadamente o BES, CGD e a EDP, abrindo possivelmente as portas para próximas. Serviu também para desmistificar um pouco a influência das agências de rating que mantiveram a classificação de “lixo” e perspetivas negativas tanto antes da operação se realizar como depois. Isto apesar do juro pago por Portugal ser substancialmente menor que os 6,4% em Fevereiro de 2011, a taxa fixou-se nos 4,891%. Por outro lado, existem os argumentos de que o sucesso se deveu sobretudo à intervenção do BCE.
No fim de contas e no seguimento da avalanche de notícias negativas, o facto de, artificialmente ou não, haver finalmente uma positiva, sabe a suspiro de alívio.
Era pois a pior altura para no seio da oposição despoletarem crises internas e debates infrutíferos. A verdade é que o que a disputa de calendários políticos iniciada por Silva Pereira, antigo ministro de José Sócrates, precisamente no dia em que o governo se vangloriava com a operação de financiamento, continuou. E não continuou de qualquer maneira, achincalhou-se bem na comissão política do PS, marcada por palavras como “deslealdade” e “irresponsabilidade”. Era, na verdade, a altura de atacar os fracassos deste governo. O desemprego, o rendimento das famílias, o consumo interno, as empresas, a economia. A preocupação com as finanças tem esquecido a bola de neve que se está a criar no lado real do País. E é aqui que o debate se tem de centrar. E fora do sound bite do crescimento económico que até Cavaco já utiliza! É como se vai fazer que o País quer saber!
A realidade é que existem duas leituras. Por um lado, significa o quebrar de uma barreira psicológica que, pelo menos, permitiu que empresas portuguesas se financiassem também, nomeadamente o BES, CGD e a EDP, abrindo possivelmente as portas para próximas. Serviu também para desmistificar um pouco a influência das agências de rating que mantiveram a classificação de “lixo” e perspetivas negativas tanto antes da operação se realizar como depois. Isto apesar do juro pago por Portugal ser substancialmente menor que os 6,4% em Fevereiro de 2011, a taxa fixou-se nos 4,891%. Por outro lado, existem os argumentos de que o sucesso se deveu sobretudo à intervenção do BCE.
No fim de contas e no seguimento da avalanche de notícias negativas, o facto de, artificialmente ou não, haver finalmente uma positiva, sabe a suspiro de alívio.
Era pois a pior altura para no seio da oposição despoletarem crises internas e debates infrutíferos. A verdade é que o que a disputa de calendários políticos iniciada por Silva Pereira, antigo ministro de José Sócrates, precisamente no dia em que o governo se vangloriava com a operação de financiamento, continuou. E não continuou de qualquer maneira, achincalhou-se bem na comissão política do PS, marcada por palavras como “deslealdade” e “irresponsabilidade”. Era, na verdade, a altura de atacar os fracassos deste governo. O desemprego, o rendimento das famílias, o consumo interno, as empresas, a economia. A preocupação com as finanças tem esquecido a bola de neve que se está a criar no lado real do País. E é aqui que o debate se tem de centrar. E fora do sound bite do crescimento económico que até Cavaco já utiliza! É como se vai fazer que o País quer saber!
domingo, 18 de novembro de 2012
Alemão e Irlandês para totós, os portugueses
Na ressaca de uma semana intensa do ponto de vista político e social, importa olhar a visita de Merkel ao nosso pequeno e mal arrumado País. Foi interessante perceber que a Chanceler está a realizar este périplo pela Europa, não por acaso, mas porque está numa espécie de campanha eleitoral europeia. Foi com um discurso vago e de simpatia que, em suma, não disse nada. Interessa agora adiar as decisões importantes e cuidar dos bons alunos. Soube a um cafuné da avó Angela esta visita.
No seguimento do comentário que se generalizou sobre o exemplo alemão, faz sentido recordar certos indicadores. A Alemanha, em 2005, chegou a ter um desemprego de mais de 12%, acima do registado no pós-guerra. Este facto gerou o mesmo debate sobre flexibilizar o mercado de trabalho que agora se ouve em Portugal. O que não invalida a necessidade de aprendermos, sobretudo nas áreas de gestão e planeamento, com a cultura alemã.
Outro ponto interessante do dia foi o discurso do Ministro de Economia Álvaro Santos Pereira. Em jeito de desabafo, levantou questões pertinentes e reiterou uma aposta importante na industrialização, resta saber o que vai ser concretizado. Ainda assim, esta seria uma aposta fundamental. O crescimento também parece finalmente ter uma agenda própria e espera autorizações europeias. Fala-se de um IRC de 10% para um mínimo volume de investimento, um benchmarking Irlandês parece. A Irlanda que lutou contra a vontade troikiana para manter o IRC inalterado e é considerado o 6º melhor país do mundo para fazer negócios. Empresas como a Google, Intel, Microsoft, Apple, Adobe, Amazon, Packard, Yahoo, têm a sua sede europeia na Irlanda. Resta saber se isso, num país com uma política fiscal tão instável como o nosso, irá convencer os investidores.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Manif
Estás na rua com medo, há caixotes do lixo a arder, pedras e garrafas a voar. Estás nas imagens que costumas ver nos noticiários que o teu pai, religiosamente, insiste em não perder. E, enquanto almoça ou janta, mastiga sempre as mesmas palavras, este país nunca há de mudar, estávamos bem era no Brasil. Dás um salto para trás quando rebenta um petardo mesmo à tua frente, sentes um zumbido estridente a ecoar e a abafar o mundo à tua volta. Um velho agarra-te no braço e pergunta-te se estás bem, não ouviste, mas percebeste nos lábios engelhados pela saudade de outros tempos. Isso disse-te ele a seguir, que no tempo dele havia ideais e se lutava por eles. Hoje, há uns tipos de fato e gravata que acham que pertencer ao governo é ser estadista. E era um líder que nós precisávamos, rijo como antigamente, um Lula tuga. Tu anuías à lição histórica e ouviste até ao fim. Quando o velho se cansou do teu silêncio disse, já vi que estás bem, vou-me embora que isto ainda vai dar para o torto. Aí disseste-lhe que também ias, tinhas vindo manifestar-te de cara destapada, atirar palavras que mostrassem que existes, acima de tudo, não dar razão ao teu pai. No dia seguinte, quando chegaste à cozinha para almoçar, a televisão estava ligada como sempre. As imagens mostravam a manifestação de ontem e a polícia a carregar sobre os manifestantes. O teu pai, enquanto te servia o resto da sopa, era o que tinham, disse, que vergonha de país.
sábado, 6 de outubro de 2012
Crise Portuguesa à lupa
Portugal vive uma crise muito própria, que veio ao de cima num contexto de crise mundial. Pode dizer-se que houve um conjunto de decisões falhadas que provocaram o desastre. Deixa-se já aqui uma nota inicial, Portugal não é sequer autossuficiente na produção alimentar, o que num caso extremo de saída em rutura do euro poderia significar fome.
Portugal sempre foi um país periférico, não só em posição geográfica, mas também no ritmo de desenvolvimento europeu. Talvez possamos ligar isso a um período histórico de grande estagnação, aliás, o estado novo foi o regime autoritário mais duradouro de toda a Europa ocidental no século XX. De facto, este período atrasou Portugal e quando aconteceu a revolução a corrida já ia a meio. Portugal vê-se então livre do estatismo protecionista mas perde o mercado colonial.
Outro momento importante foi a entrada na Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia). Foi um processo moroso, as negociações decorreram entre 1977 e 1985, período em que Portugal foi obrigado a acordos com o FMI por duas vezes. Momentos em que o país recorreu a avultados empréstimos externos e foi necessário controlar o défice. Findo este período de instabilidade, deu-se o passo decisivo para o país poder abandonar a espiral descendente. Em grande desigualdade com o resto da comunidade, dá-se uma importante viragem no tecido empresarial português. Os processos de liberalização e de reprivatizações desenvolvidos com vista a adaptar a economia portuguesa às normas comunitárias e o crescimento dos fluxos financeiros provenientes da UE (crescimento limitado pelas exigências de controle das despesas do Estado, geralmente comparticipante nos projetos financiados pela UE), aceleraram e aprofundaram as transformações económicas e sociais. Foi o período de maior convergência entre Portugal e a Europa desenvolvida, chegando o diferencial de crescimento anual do produto per capita entre Portugal e UE15 a chegar a mais de 5%.
Olhando agora o momento crítico para a economia portuguesa, a adoção da moeda única. Foi um dos passos mais importantes no plano da globalização, e efetivamente reforçou o poder do velho continente no novo mundo. Poderá ser mesmo decisivo num futuro comandado por países maiores que continentes. Ainda assim, o processo teve contornos que suscitam discussão, principalmente em Portugal em que o ajustamento foi complexo e dotado de erros estratégicos. O reflexo imediato foi a inversão da tendência de convergência, houve de facto um decréscimo no crescimento que se observou até aqui. Analisando as causas, foi, desde logo, percetível o aumento de preços generalizado. Esta inflação foi superior à generalidade dos principais parceiros comerciais portugueses, que estão no seio da UEM (União Económica e Monetária), o que impediu que fosse possível manter uma posição competitiva sustentável, funcionando como um aumento da taxa de câmbio real. Acresceu a este facto, a tendência de apreciação da taxa de câmbio do euro face aos mercados de exportação portuguesa, externos à UEM, o que seria mais um entrave para as exportações do país. Tudo isto significava que Portugal estava menos competitivo e as suas exportações espelharam isso mesmo, até 2007 perdeu consecutivamente quota de mercado.
Outro fenómeno importante foi a descida generalizada das taxas de juro. A restrição financeira diminuiu consideravelmente e o endividamento fácil e a baixo custo proliferou. O resultado foi uma expansão do consumo público e privado, muito mais dinâmico que o investimento e sem a correspondência necessária nos rendimentos do estado e das famílias. Facilmente se comprova isso pelos níveis de endividamento das famílias, largamente incentivado pelo sistema financeiro, fixando-se em 25% (20% crédito habitação e 5% consumo) do rendimento disponível, antes da entrada no euro, situando-se, em 2010, nos 145% (105% crédito habitação e 40% crédito ao consumo). Na verdade este foi o principal problema, a falta de estratégia no investimento. Observou-se um ganho de poder na intervenção do sector público na economia, no entanto, sem definir uma direção clara na afetação dos recursos. A dimensão das atividades de bens e serviços transacionáveis viram uma redução do seu peso no PIB, nomeadamente cadeias industriais da floresta e do têxtil, evidenciando-se a construção e o imobiliário como as mais fomentadas. Claro que aqui não se levantam somente questões de investimento e regulação pública. O tecido empresarial português ressentiu-se também das limitações supracitadas do próprio país em matéria económica. Importa também olhar o ritmo acelerado de crescimento das economias emergentes na última década e como este estimulou os fatores concorrenciais, como sejam a inovação e a eficiência. Todos estes factos interligados impunham um ganho qualitativo significativo para que tecido empresarial português progredisse ao ritmo exigido pela concorrência internacional. Isso não aconteceu e, atualmente, um dos mais sensíveis problemas da sociedade portuguesa e o reflexo desse défice é o desemprego. A taxa era de 4% em 2000, sendo que o governo, ainda esta semana, reviu em alta a sua previsão para 2013 e coloca-a nos 16,4%.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Touradas Em Viana
Foi semana de lide na cidade, na arena, na opinião dos vianenses. É de facto um tema fraturante numa sociedade que transporta tradições ancestrais para um presente evoluído. E há que contextualizar que a proibição repentina nunca resolveria o problema, levaria antes a uma contestação que só o tempo pode diluir. E realmente não existe essa necessidade, inserir a tauromaquia nos tempos que correm é um anacronismo provado pelo desinteresse das gerações mais novas. Dito isto, esclareça-se que muito antes de existir Portugal, já existia um culto ao touro. As pinturas rupestres representam-no e as civilizações clássicas mitificam a sua invencibilidade e poder. Este sentimento impele a natureza humana a provar a sua supremacia, já aí entravam nas arenas de Roma. A caça levou a um recreio de celebração da coragem, valentia e destreza do toureiro, quer queiramos quer não, entrar numa arena requere-o e não é para todos.
Chega de história e considerações. O que se passou em Viana do Castelo foi vergonhoso, sem esquecer nenhuma das partes envolvidas. A Prótoiro, promotora do evento, decidiu-se pela realização do mesmo numa autarquia que se declarou antitouradas, das poucas do país, diga-se de passagem. Isto faz transparecer um trejeito provocador e a clara busca de publicidade fácil inerente à polémica. Obviamente, a câmara indeferiu o pedido. A Prótoiro responde com uma providência cautelar interposta no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, que autorizou o evento. O argumento da câmara para o recurso foi inócuo, alegando uma violação grave do PDM, Reserva Ecológica Nacional e do Plano de Ordenamento da Orla Costeira. Irrisório porque o circo já decorreu naquele mesmo local. Também não ficaram bem na fotografia os manifestantes que, na ânsia de proteger os animais, esqueceram o civismo e as boas maneiras, perdendo a razão. A pressão e ameaças feitas sobre os comerciantes que decidiram vender bilhetes mostra a deturpada consciencialização das pessoas. Talvez ainda nos falte evoluir um pouco mais para acabar com as touradas.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Portugal não são só preguiçosos de barriga cheia
Levantou-se à hora de sempre. Os carros são ainda um sinal ininterrupto do lusco-fusco da madrugada. São todos os dias assim, rotina monótona de viver em sociedade. Todos os discursos que dão vídeos de youtube dizem que não, é sempre possível suplantarmo-nos ao banal e ao prosaico. Mas isso é para quem tem autonomia e propósito, diz ele.
Tem 40 anos, duas filhas e o despropósito do desemprego. Já foi caixa, trolha, limpou passeios e barcos de recreio. Viveu e fez as escolhas a que teve direito, começar a trabalhar aos 15 anos. Perdeu-se numa família disfuncional, encontrou a independência mental numa tenda de um quintal amigo. Nunca invejou quem teve mais, só ponderou, em momentos de introspeção, se realmente o paradigma estava certo.
Foram 10 anos a trabalhar para o Sr. Von Rick, até o IVA subir e o Sr. Von Rick fechar o seu restaurante. Não descontava e o centro de emprego fechou a porta. A autonomia era o sustento que vinha com ele no final do dia, o que metia comida na mesa e roupa nas filhas. O propósito é que o move, dar às filhas as regalias que não teve.
Enquanto autónomo, ele foi realmente muito mais que o comum, filantropo da humanidade das duas pequenas. E os vídeos de youtube esquecem isso, Portugal não são só preguiçosos de barriga cheia.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Hoje é dia de clássico
Hoje é dia de clássico. Dia em que se desertam ruas e povoam cafés. É o alienar de um povo, como se não houvesse metas de produtividade a cumprir. Hoje não há sound bites políticos na praça. Hoje as conversas não serão sobre Portugal em crise, de cinto apertado no último buraco e a tanga cada vez mais curta. É dia de comprar a bola, o jogo ou o record. É dia de analisar estatísticas, gráficos, tabelas, fazer contas de cabeça, prever momentos de transição e espaços entrelinhas. Já não se sente o mesmo pessimismo e há assuntos de conversa.
O português sabe que os cafés enchem para ver futebol e, por isso, ao futebol não chega tarde. Vai como quem vai ao cinema, troca pipocas e cola por finos e tremoços, faz barulho mas não gosta que ninguém faça, quer ouvir o relato e a televisão está sempre com o volume baixo. No entanto, é no estádio o espetáculo, milhares a cantar em uníssono, a lembrar um qualquer concerto de dimensões incomensuráveis. Uma peça de teatro decorre no palco relvado, sem género, os atores improvisam a cada cena.
Para hoje, ficam as orações a Jesus como a fé de parte a parte. Os goleiros vão afinando, os maestros argentinos preparam-se para dirigir, James e Rodrigo são os solistas em dúvida.
O português sabe que os cafés enchem para ver futebol e, por isso, ao futebol não chega tarde. Vai como quem vai ao cinema, troca pipocas e cola por finos e tremoços, faz barulho mas não gosta que ninguém faça, quer ouvir o relato e a televisão está sempre com o volume baixo. No entanto, é no estádio o espetáculo, milhares a cantar em uníssono, a lembrar um qualquer concerto de dimensões incomensuráveis. Uma peça de teatro decorre no palco relvado, sem género, os atores improvisam a cada cena.
Para hoje, ficam as orações a Jesus como a fé de parte a parte. Os goleiros vão afinando, os maestros argentinos preparam-se para dirigir, James e Rodrigo são os solistas em dúvida.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Ruas da madrugada
Acordou, sol de inverno e crise lá fora. Desarruma os lençóis, põe música alto, dança sozinho e desajeitado, é o desnorte da manhã cedo. O ar está frio e o corpo deixou o calor na cama. Afasta os cortinados, mar e rio misturam-se no lusco-fusco que dita a madrugada. Empurra os filhos com a pressa de patrão, hoje vamos mais cedo que o pai vai dar sangue.
Acordou, sol de inverno e crise em todo o lado. Desarruma os lençóis, canta alto e desafinado a música que ouviu, toda a semana, na boleia de todos os dias. Dança sozinho e desajeitado, é o desnorte da manhã cedo. O ar está frio e o corpo deixou o calor na cama. Abre a persiana, o prédio vizinho ainda dorme, lá em baixo, o vento vai varrendo piscas, garrafas, a sobra da noite anterior. Empurra os filhos com as mãos calejadas, hoje vamos mais cedo que o pai vai dar sangue.
Acordou, sol de inverno e crise em todo o lado. Desarruma os lençóis, canta alto e desafinado a música que ouviu, toda a semana, na boleia de todos os dias. Dança sozinho e desajeitado, é o desnorte da manhã cedo. O ar está frio e o corpo deixou o calor na cama. Abre a persiana, o prédio vizinho ainda dorme, lá em baixo, o vento vai varrendo piscas, garrafas, a sobra da noite anterior. Empurra os filhos com as mãos calejadas, hoje vamos mais cedo que o pai vai dar sangue.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O mito e o homem
Nasceste da religiosidade política dos tempos, sinergia que te moldou até hoje. Personificas entidades mitológicas diabólicas, consumistas, pródigo capitalista devorador de orçamentos familiares. Os mesmos hoje, em época de crise, criticam o corte de metade do teu subsídio, o comércio afinal precisa de ti.
Demarco-me de opiniões, cada um cuida do seu umbigo como assim lhe convier, “é cisma de metade do mundo a curiosice pela vida da outra metade, que aliás lhe paga na mesma moeda”. A beleza reside na opção, cada qual define a distinção pessoal. De regrada tradição nada tens e vivência é escolha do freguês.
A sociedade hoje persegue-nos, suga-nos atenção, exige dedicação na perceção de tanta informação. Vivemos agarrados ao tempo, impaciência generalizada, qualquer responsabilidade é incumbência urgente. Assim se compreendem os buzinões e gesticulados insultos para os desatentos. O sinal está verde e o vermelho dos peões já mandava estar em ponto de embraiagem, é dinheiro perdido por segundo. São murros na mesa e na lentidão das páginas que não se abrem num piscar de olhos. O som estridente da ligação telefónica ainda ecoa, interrompida sempre que o auscultador se desarmava do descanso. Já ninguém se lembra de ontem, quanto mais há terabytes atrás. No meio, esquecem-se momentos e pormenores que ficam, os que vão ser lembrados quando ombros e costas vergarem sob o peso da vida. Falta introspeção, aquela que nos faz ser quem somos, vivos e não autómatos na rotina do dia a dia.
O Natal não é mais do que um escape, um dia em que toda a merda da vida se quer esquecida, claro que nada é imune a sujidade tão corrosiva. Desengane-se quem só vê alegria, amor e felicidade; como em matrimónio, é na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, passado com quem mais amamos e quem mais nos ama. Por um dia merecemos alienar realidades e responsabilidades, deixar vontades e sonhos confortar a alma desgastada pela vida.
Demarco-me de opiniões, cada um cuida do seu umbigo como assim lhe convier, “é cisma de metade do mundo a curiosice pela vida da outra metade, que aliás lhe paga na mesma moeda”. A beleza reside na opção, cada qual define a distinção pessoal. De regrada tradição nada tens e vivência é escolha do freguês.
A sociedade hoje persegue-nos, suga-nos atenção, exige dedicação na perceção de tanta informação. Vivemos agarrados ao tempo, impaciência generalizada, qualquer responsabilidade é incumbência urgente. Assim se compreendem os buzinões e gesticulados insultos para os desatentos. O sinal está verde e o vermelho dos peões já mandava estar em ponto de embraiagem, é dinheiro perdido por segundo. São murros na mesa e na lentidão das páginas que não se abrem num piscar de olhos. O som estridente da ligação telefónica ainda ecoa, interrompida sempre que o auscultador se desarmava do descanso. Já ninguém se lembra de ontem, quanto mais há terabytes atrás. No meio, esquecem-se momentos e pormenores que ficam, os que vão ser lembrados quando ombros e costas vergarem sob o peso da vida. Falta introspeção, aquela que nos faz ser quem somos, vivos e não autómatos na rotina do dia a dia.
O Natal não é mais do que um escape, um dia em que toda a merda da vida se quer esquecida, claro que nada é imune a sujidade tão corrosiva. Desengane-se quem só vê alegria, amor e felicidade; como em matrimónio, é na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, passado com quem mais amamos e quem mais nos ama. Por um dia merecemos alienar realidades e responsabilidades, deixar vontades e sonhos confortar a alma desgastada pela vida.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Anacronismos do poente
O sol espreita envergonhado, vai tocando o frio imaterial da pedra granítica ancestral, anos a embelezar aquela margem. Reflete na água gelada do rio, cegando quando se olha a nascente, do sol e do rio, invernoso dia de luz, Dezembro quase natalício.
Combina-se uma caldeirada logo abaixo, é a ribeira a falar de si e do seu peixe, ganhou popularidade agora em tempo de vacas magras. Estão harmoniosamente dispostos, alinhados com os respetivos barcos, mestres de uma navegação esquecida no tempo. No entanto, não parecem importados, riem com a corajosa boa disposição de quem enfrenta tempestades, tempestades a sério, não destas incertezas de burocratas, tecnocratas, mentirocratas, cratas de tudo e de nada.
São nortenhos de sotaque e costumes, acima de tudo, portugueses de Portugal. São-no sem noção de horas, capazes de deixar tudo para a última, criadores de quilómetros de fila quando há acidente à vista. São-no hospitaleiros, recebem como ninguém, fazem sentir em casa forasteiros, povo de tradições tão majestosas quanto as suas refeições. São-no e querem continuar a sê-lo, no país onde não escolheram nascer mas preferem continuar a viver.
É risível apelar-se à emigração, sugerir-se agências para tal, estamos num país envelhecido, a massa que vai e não volta é crítica, é a que faz falta. Chega de empurrar problemas com a barriga, é perverso agilizar assim erros de previsão. Flexibilize-se o ensino em vez do trabalho, encaminhe-se e facilite-se a formação nas lacunas do mercado, tudo reestruturações com visão de longo prazo.
De uma vez por todas controle-se o ensino superior, percebe-se o nicho de mercado rentável, fluorescente como cogumelos. Não tem de se esperar por qualquer equilíbrio entre oferta e procura, até porque a inflação académica é crescente, tem de ser regulado a montante. Não podem ser permitidos os números vertiginosos, enfermagem é um exemplo, dezenas e dezenas de escolas, milhares de vagas a criar desempregados. Devem ser pesados na balança estudantes finalistas e postos de trabalho, não escrupulosamente, mas estimando valores que asseguram custos de trabalho dignos e justos. Não deixar chegar ao equilíbrio vigente, viciado pelo acaso bem lembrado. Enfermagem e docência são profissões estruturais, estruturante para o país também. No entanto, não cresce lado a lado com a economia, se tanto, depende da demografia, penosa a nossa. A capacidade de absorvência é limitada, são lógicas entendíveis e prospeções necessárias.
Chega o crepúsculo no poente, cor afogueada estendida até à foz, pontes eiffeis deitadas sobre o rio, palácios de fidalgos da Casa Real, anacronismos de um presente esquecido de onde vem.
Combina-se uma caldeirada logo abaixo, é a ribeira a falar de si e do seu peixe, ganhou popularidade agora em tempo de vacas magras. Estão harmoniosamente dispostos, alinhados com os respetivos barcos, mestres de uma navegação esquecida no tempo. No entanto, não parecem importados, riem com a corajosa boa disposição de quem enfrenta tempestades, tempestades a sério, não destas incertezas de burocratas, tecnocratas, mentirocratas, cratas de tudo e de nada.
São nortenhos de sotaque e costumes, acima de tudo, portugueses de Portugal. São-no sem noção de horas, capazes de deixar tudo para a última, criadores de quilómetros de fila quando há acidente à vista. São-no hospitaleiros, recebem como ninguém, fazem sentir em casa forasteiros, povo de tradições tão majestosas quanto as suas refeições. São-no e querem continuar a sê-lo, no país onde não escolheram nascer mas preferem continuar a viver.
É risível apelar-se à emigração, sugerir-se agências para tal, estamos num país envelhecido, a massa que vai e não volta é crítica, é a que faz falta. Chega de empurrar problemas com a barriga, é perverso agilizar assim erros de previsão. Flexibilize-se o ensino em vez do trabalho, encaminhe-se e facilite-se a formação nas lacunas do mercado, tudo reestruturações com visão de longo prazo.
De uma vez por todas controle-se o ensino superior, percebe-se o nicho de mercado rentável, fluorescente como cogumelos. Não tem de se esperar por qualquer equilíbrio entre oferta e procura, até porque a inflação académica é crescente, tem de ser regulado a montante. Não podem ser permitidos os números vertiginosos, enfermagem é um exemplo, dezenas e dezenas de escolas, milhares de vagas a criar desempregados. Devem ser pesados na balança estudantes finalistas e postos de trabalho, não escrupulosamente, mas estimando valores que asseguram custos de trabalho dignos e justos. Não deixar chegar ao equilíbrio vigente, viciado pelo acaso bem lembrado. Enfermagem e docência são profissões estruturais, estruturante para o país também. No entanto, não cresce lado a lado com a economia, se tanto, depende da demografia, penosa a nossa. A capacidade de absorvência é limitada, são lógicas entendíveis e prospeções necessárias.
Chega o crepúsculo no poente, cor afogueada estendida até à foz, pontes eiffeis deitadas sobre o rio, palácios de fidalgos da Casa Real, anacronismos de um presente esquecido de onde vem.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
A Europa em matraquilhos
Sei que deves ver as notícias, sem piedade apelidam-nos de lixo e a Alemanha aproveita para nos varrer, a cada frase, para fora da União Monetária. É o sonho europeu em ruínas e eu só quero continuar a viver. Estou cansado de ser um matraquilho, sabendo cada vez mais, com o avanço do tempo, que Passos tem pouca destreza, é de autogolos para cima. Sabendo disso e conhecendo a frieza alemã na hora de decidir, Angela goleia sempre.
O Europeu a 17 tem a Alemanha como líder isolado e os PIIGS (acrónimo em crescendo) sob a linha de água. Torneio que se antevia competitivo, tornou-se uma luta a dois, ainda assim desigual, sucumbência francesa. Os analistas já dizem, o lanterna vermelha não tem salvação, desce de divisão. Logo acima da Grécia estamos nós, Passos, pouco hábil, dificilmente assegura a manutenção.
Só há um senão em regras tão escrupulosas, quem descer já não jogará mais o campeonato do mundo, no fundo, o certame desportivo que interessa. Esquecemo-nos que a saúde europeia não é só interna, viverá muito da sua coesão perante o exterior, evidência que se provará num futuro não tão longínquo. Assim, quando a União Europeia se apresenta nos ditos campeonatos, mundiais entenda-se, tem de contar com todos os seus elementos. A beleza dos matraquilhos é a democracia inerente aos seus protagonistas. Não existem países importantes, Sarkozy, em representação da sua França, pode ser goleador estando nos três da frente, substituindo-o por Rajoy, manter-se-á a perícia e qualidade ofensiva. Na verdade, ela só depende de quem comanda, a UE.
A essência de uma União Económica e Monetária é essa, parceria na hora de concorrer com gigantes asiáticos em crescendo, Índia e China, e poderosos instalados como os EUA ou o Japão, todos pesos pesados na arte dos matraquilhos e não só.
Victor Hugo em 1849 escreveu, “Chegará o dia em que todas as Nações do Continente, sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, fundir-se-ão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Chegará o dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo-se às ideias. Chegará o dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos”. Hoje estamos a perder esse dia.
O Europeu a 17 tem a Alemanha como líder isolado e os PIIGS (acrónimo em crescendo) sob a linha de água. Torneio que se antevia competitivo, tornou-se uma luta a dois, ainda assim desigual, sucumbência francesa. Os analistas já dizem, o lanterna vermelha não tem salvação, desce de divisão. Logo acima da Grécia estamos nós, Passos, pouco hábil, dificilmente assegura a manutenção.
Só há um senão em regras tão escrupulosas, quem descer já não jogará mais o campeonato do mundo, no fundo, o certame desportivo que interessa. Esquecemo-nos que a saúde europeia não é só interna, viverá muito da sua coesão perante o exterior, evidência que se provará num futuro não tão longínquo. Assim, quando a União Europeia se apresenta nos ditos campeonatos, mundiais entenda-se, tem de contar com todos os seus elementos. A beleza dos matraquilhos é a democracia inerente aos seus protagonistas. Não existem países importantes, Sarkozy, em representação da sua França, pode ser goleador estando nos três da frente, substituindo-o por Rajoy, manter-se-á a perícia e qualidade ofensiva. Na verdade, ela só depende de quem comanda, a UE.
A essência de uma União Económica e Monetária é essa, parceria na hora de concorrer com gigantes asiáticos em crescendo, Índia e China, e poderosos instalados como os EUA ou o Japão, todos pesos pesados na arte dos matraquilhos e não só.
Victor Hugo em 1849 escreveu, “Chegará o dia em que todas as Nações do Continente, sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, fundir-se-ão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Chegará o dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo-se às ideias. Chegará o dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos”. Hoje estamos a perder esse dia.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Empreendedorismo, desordem do dia
Empreendedorismo é a nova ordem do dia. Não se realiza conferência em que o tema não seja abordado, debatido, comentado, elogiado, entrepreneurs salvadores. São histórias bonitas e bem contadas, mais ou menos como as lembranças que guardamos das viagens que fizemos, das pessoas que gostamos, escolhemos as partes boas e agarramo-nos a elas. Claro que não foi necessariamente tão belo, mas quem conta um conto tem de acrescentar os pontos que fazem sentido.
Histórias de sucesso, inspiradoras sem dúvida, mobilizadoras na vontade de igualar tal ousadia e audácia, sim, porque eles são quem mais ordena. Eles são o futuro inquestionável de um País viciado no conformismo. Eles abalam e fazem moça, reinventam o inventado e ainda lhe acrescentam valor. É isso que faz sentido numa economia paralisada pelo medo, futuro incerto e presente inconstante, volatilidades promotoras de oportunidades.
Confundem-me a razão quando sugerem que o curso não lhes serviu, não o usam, não é ele que os guia sequer nas decisões. Levanta-se a questão da sua pertinência, as capacidades de pesquisa e trabalho são competências fulcrais, no entanto, apreendem-se em qualquer ramo empresarial. Parecem-me desligados do mercado, rígidos para o estudante, demasiado académica e politicamente corretos. Dicotomia fundamental quando se analisa a sede da sociedade por inovação, tudo o que é standard peca logo pela definição.
Num mundo global e que deixou de dormir faz tempo, não podemos fixar-nos no passado, somos obrigados a evoluir sob pena de perdermos o pelotão. As competências técnicas têm de ser complementadas, já lá vai o tempo em que a melhor nota destacava o melhor aluno, são as personalidades que definem o valor hoje em dia. Falta adequar essa realidade ao sistema de ensino. Dar a perceção da importância formadora, convergir no sentido de capacitar os estudantes das componentes cívica, cultural, empreendedora; norteá-los nessas direções críticas será o maior desafio a enfrentar e tem de pesar nas políticas de decisão.
É irrefutável a complexidade do tema, torna-se difícil extrapolar conclusões concisas, coerentes e assertivas. Há pano e mangas para me deixar sem tinta.
Histórias de sucesso, inspiradoras sem dúvida, mobilizadoras na vontade de igualar tal ousadia e audácia, sim, porque eles são quem mais ordena. Eles são o futuro inquestionável de um País viciado no conformismo. Eles abalam e fazem moça, reinventam o inventado e ainda lhe acrescentam valor. É isso que faz sentido numa economia paralisada pelo medo, futuro incerto e presente inconstante, volatilidades promotoras de oportunidades.
Confundem-me a razão quando sugerem que o curso não lhes serviu, não o usam, não é ele que os guia sequer nas decisões. Levanta-se a questão da sua pertinência, as capacidades de pesquisa e trabalho são competências fulcrais, no entanto, apreendem-se em qualquer ramo empresarial. Parecem-me desligados do mercado, rígidos para o estudante, demasiado académica e politicamente corretos. Dicotomia fundamental quando se analisa a sede da sociedade por inovação, tudo o que é standard peca logo pela definição.
Num mundo global e que deixou de dormir faz tempo, não podemos fixar-nos no passado, somos obrigados a evoluir sob pena de perdermos o pelotão. As competências técnicas têm de ser complementadas, já lá vai o tempo em que a melhor nota destacava o melhor aluno, são as personalidades que definem o valor hoje em dia. Falta adequar essa realidade ao sistema de ensino. Dar a perceção da importância formadora, convergir no sentido de capacitar os estudantes das componentes cívica, cultural, empreendedora; norteá-los nessas direções críticas será o maior desafio a enfrentar e tem de pesar nas políticas de decisão.
É irrefutável a complexidade do tema, torna-se difícil extrapolar conclusões concisas, coerentes e assertivas. Há pano e mangas para me deixar sem tinta.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
"A volta ao mundo em oitenta dias"
Somos povo de um país de história, de períodos bravos de conquista e revolução, audácia marcada em cada um de nós. Talvez ainda desse tempo venha a claustrofobia, não patológica entenda-se, mas cultural. Cosmopolitas, sempre o fomos e procurámos ser, ignorámos fronteiras naturais ou impostas, emigrámos, quando pudemos, em fuga de um país pobre em valores e oportunidades. Cultivai o que é nosso, o que nos representa e dignifica, a nossa diáspora importa, mas importa mais quem ficou a remar contra a maré.
Claro que o mundo é global, prova disso são os quilómetros feitos pelo nosso errante Ministro dos Negócios Estrangeiros, tantos por dia quanto o comprimento de Portugal. Qual vendedor ambulante, EDPs e RENs na sacola e lá vai ele.
Aventuras e desventuras de um personagem épico, quanto a mim, com vontade de vivências de outros tempos, uma certeza, a inspiração é conhecida. Não se pense que é novidade, são hábitos inveterados. Perceba-se a vontade de Portas olhar o mundo de perspetivas diferentes, sonhos reservados a qualquer humano, pulamos e avançamos todos. Julio Verne ficcionou um Capitão Nemo escolhendo o seu submarino como forma de vida, “vinte mil léguas submarinas”, ele, ainda enquanto Ministro da Defesa, comprou dois. E não o deixaram ser capitão de nenhum! Perseverante é o que persegue sem descanso a sua vontade, a oportunidade espreitou novamente e lá foi ele fazer de Phileas Fogg. Verne imaginou o inglês a dar uma volta ao planeta em oitenta dias, em “A volta ao mundo em oitenta dias”, Portas não desilude no seu périplo e já lá vão mais de duas.
Critique-se o que se quiser, louvem-se as obras, compreenda-se o fanatismo acérrimo, são peripécias que todos gostaríamos de viver.
Diplomacias à parte, faltam resultados palpáveis e, como diria o saudoso Perestrelo, “é disso que o povo gosta”.
Claro que o mundo é global, prova disso são os quilómetros feitos pelo nosso errante Ministro dos Negócios Estrangeiros, tantos por dia quanto o comprimento de Portugal. Qual vendedor ambulante, EDPs e RENs na sacola e lá vai ele.
Critique-se o que se quiser, louvem-se as obras, compreenda-se o fanatismo acérrimo, são peripécias que todos gostaríamos de viver.
Diplomacias à parte, faltam resultados palpáveis e, como diria o saudoso Perestrelo, “é disso que o povo gosta”.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
"Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo"
A pura e crua inocência da juventude morre na exigência da sociedade atual. Vivem-se tempos de disciplina, forçosa máscara no culto da imagem. É talvez a melhor definição da decadência da imprevisibilidade, espontaneidade, criatividade, vicissitude causadora de estagnação. Inércia no tempo em que o mundo gira à velocidade da luz, não são precisos segundos para China e Portugal apalavrarem compras de dívida, sem que nem Portugal nem a China deixem os repetivos continentes.
Mudam-se os tempos, perdem-se as vontades, somos todos sobreviventes e vivemos como tal, sedentários na nossa existência. Crescemos sob a filosofia que distingue os conformados, “sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, ataraxia dos passivos de espírito. Desengane-se quem julga ser despiciendo, descartável pelo poder instaurado, cada qual faz a diferença a que se propuser. É aí que entra a hierarquia do populismo, entropia crescente num sistema só por si pouco eficiente. A falta de competitividade intelectual paralisa a nossa sociedade, suga-lhe os valores e promove a desordem. Assertivamente, precisamos de lideranças fortes nos lugares certos, dotadas de poder de decisão e capacidade de mudar o status quo. Falo na sociedade em geral, sendo claro, particularmente na vida pública, a ausência de personalidades do género.
Olhamos para o topo e percebemos a penosa lacuna de idoneidade de quem recebe o erário público, uma certeza, estadistas nem vê-los. Nem é preciso tanto, atentemos nas associações de estudantes. Refletem isso mesmo, didáticas e recriativas para os seus associados, isso não está em questão, mas diluídas na sociedade. O seu impacto é nulo, o seu peso político idem. Desentenda-se uma colagem a ideologias partidárias, longe de mim tal obscenidade, no entanto, a sua preponderância junto das instâncias decisoras tem de ser sentida. A voz dos estudantes tem de se fazer ouvir, intervindo na abrangência possível, defendendo a academia, claro está, e muito mais. São, antes de mais, visões novas para velhos problemas, aliadas a um conhecimento e vontade insaciáveis, sem esquecer que integram a futura geração e podem falar por ela. Aconselho um documentário que prova, num passado de conjuntura ainda mais difícil mas de futuro igualmente incerto, todo o meu discurso.
A genialidade sente-se, goste-se ou não, nas palavras que ficam. Personificar um heterónimo, relatar-lhe os passos perdido por Lisboa, indignar-se com tal serenidade própria do estoicismo e moderação caraterística do epicurismo, saudades Saramago. Tenho para mim que, em crítica ao estado atual das coisas, disseste a Ricardo Reis:
“Eis o espetáculo do mundo, meu poeta das amarguras serenas e do cepticismo elegante. Desfruta, goza, contempla, já que estar sentado é a tua sabedoria”.
Mudam-se os tempos, perdem-se as vontades, somos todos sobreviventes e vivemos como tal, sedentários na nossa existência. Crescemos sob a filosofia que distingue os conformados, “sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, ataraxia dos passivos de espírito. Desengane-se quem julga ser despiciendo, descartável pelo poder instaurado, cada qual faz a diferença a que se propuser. É aí que entra a hierarquia do populismo, entropia crescente num sistema só por si pouco eficiente. A falta de competitividade intelectual paralisa a nossa sociedade, suga-lhe os valores e promove a desordem. Assertivamente, precisamos de lideranças fortes nos lugares certos, dotadas de poder de decisão e capacidade de mudar o status quo. Falo na sociedade em geral, sendo claro, particularmente na vida pública, a ausência de personalidades do género.
Olhamos para o topo e percebemos a penosa lacuna de idoneidade de quem recebe o erário público, uma certeza, estadistas nem vê-los. Nem é preciso tanto, atentemos nas associações de estudantes. Refletem isso mesmo, didáticas e recriativas para os seus associados, isso não está em questão, mas diluídas na sociedade. O seu impacto é nulo, o seu peso político idem. Desentenda-se uma colagem a ideologias partidárias, longe de mim tal obscenidade, no entanto, a sua preponderância junto das instâncias decisoras tem de ser sentida. A voz dos estudantes tem de se fazer ouvir, intervindo na abrangência possível, defendendo a academia, claro está, e muito mais. São, antes de mais, visões novas para velhos problemas, aliadas a um conhecimento e vontade insaciáveis, sem esquecer que integram a futura geração e podem falar por ela. Aconselho um documentário que prova, num passado de conjuntura ainda mais difícil mas de futuro igualmente incerto, todo o meu discurso.
A genialidade sente-se, goste-se ou não, nas palavras que ficam. Personificar um heterónimo, relatar-lhe os passos perdido por Lisboa, indignar-se com tal serenidade própria do estoicismo e moderação caraterística do epicurismo, saudades Saramago. Tenho para mim que, em crítica ao estado atual das coisas, disseste a Ricardo Reis:
“Eis o espetáculo do mundo, meu poeta das amarguras serenas e do cepticismo elegante. Desfruta, goza, contempla, já que estar sentado é a tua sabedoria”.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
“Cantarei até que a voz me doa”
Saiam à rua, dizem uns, outros preferem exaltar egos a partir de suas casas, cafés, escritórios, tertúlias sem força mas com sentido.
Por todo o mal que trouxe a nossa presente e penosa situação, a consciencialização do povo tornou-se o remanescente prolífico. A tirania, ao contrário do que muitos pensam e preconizam, vence-se com o conhecimento, as revoluções são cenas finais de um enredo que já vai longo. E outro ponto importante, não se confunda revolta com revolução, revolução com mortes e motins, nem reacionários com revolucionários. Define-se revolução como uma mudança em qualquer ramo do pensamento humano, perceba-se a violência da palavra num país conservador, resignado como o nosso.
Não me interpretem como um impulsionador de protestos, não sou, sei que são precisos e, quando fundamentados, têm a força da minha concórdia. Sou antes motivador de opiniões, é essa a diferença entre a vitória e a derrota de uma ideia ou de uma reivindicação. Sejam opinantes numa sociedade plural, partilhem a palavra, mobilizem pessoas para que se unam sobre interesses comuns, acima de tudo, defendamos a democracia que nos permite ter tudo isto. Assim sendo, só quero chegar a nova palavra, reconhecer-lhe a importância, enfatizar-lhe o poder, tónica em causa para os tempos vindouros, civismo. A crise acarreta custos humanos elevados, sofrimentos e injustiças difíceis de superar. Compreenda-se isso em famílias já sem a razão toda, sem sorrisos num quotidiano cinzento em dias de sol.
Entristece-me ver a Grécia, pessoas perdidas, à deriva, sem rumo certo, sobretudo, sem esperança. Tirem-nos tudo. Mas não nos tirem a esperança. Os gregos que nos ensinaram a pensar, criaram a civilização como hoje a conhecemos, inovaram porque aprenderam a democracia. Aprenderam que muitos são mais fortes que poucos. Aprenderam que todos deveriam participar na vida pública ainda antes da privada, serem todos decisores no julgamento das políticas do país, inconformados e interessados em promover o seu estado. Isto dizia Péricles ainda antes de Cristo, fundador da Idade do Ouro Grega, só porque deu a palavra ao seu povo.
Hoje o berço da democracia é o berço da revolta, mostra bem que os ideais são outros, os interesses também, os líderes nem se fala. Por todo o Mundo esse cenário se reflete (a palavra mais estranha de escrever no novo acordo), uma democracia ilusória, disfarçada sobre uma aristocracia, veja-se a pluralidade quando a Alemanha e a França esquecem o Tratado de Lisboa e decidem para a UE ou quando o G20 decide para o G194. Deixe-se o mundo financeiro para outro dia.
“Cantarei até que a voz me doa”, assim ensinaste ao teu país, à tua terra e à tua gente, Fé tua, Maria, fadista de emoção, portuguesa de coração. Cantem todos comigo e até afónicos teremos voz.
Por todo o mal que trouxe a nossa presente e penosa situação, a consciencialização do povo tornou-se o remanescente prolífico. A tirania, ao contrário do que muitos pensam e preconizam, vence-se com o conhecimento, as revoluções são cenas finais de um enredo que já vai longo. E outro ponto importante, não se confunda revolta com revolução, revolução com mortes e motins, nem reacionários com revolucionários. Define-se revolução como uma mudança em qualquer ramo do pensamento humano, perceba-se a violência da palavra num país conservador, resignado como o nosso.
Não me interpretem como um impulsionador de protestos, não sou, sei que são precisos e, quando fundamentados, têm a força da minha concórdia. Sou antes motivador de opiniões, é essa a diferença entre a vitória e a derrota de uma ideia ou de uma reivindicação. Sejam opinantes numa sociedade plural, partilhem a palavra, mobilizem pessoas para que se unam sobre interesses comuns, acima de tudo, defendamos a democracia que nos permite ter tudo isto. Assim sendo, só quero chegar a nova palavra, reconhecer-lhe a importância, enfatizar-lhe o poder, tónica em causa para os tempos vindouros, civismo. A crise acarreta custos humanos elevados, sofrimentos e injustiças difíceis de superar. Compreenda-se isso em famílias já sem a razão toda, sem sorrisos num quotidiano cinzento em dias de sol.
Entristece-me ver a Grécia, pessoas perdidas, à deriva, sem rumo certo, sobretudo, sem esperança. Tirem-nos tudo. Mas não nos tirem a esperança. Os gregos que nos ensinaram a pensar, criaram a civilização como hoje a conhecemos, inovaram porque aprenderam a democracia. Aprenderam que muitos são mais fortes que poucos. Aprenderam que todos deveriam participar na vida pública ainda antes da privada, serem todos decisores no julgamento das políticas do país, inconformados e interessados em promover o seu estado. Isto dizia Péricles ainda antes de Cristo, fundador da Idade do Ouro Grega, só porque deu a palavra ao seu povo.
Hoje o berço da democracia é o berço da revolta, mostra bem que os ideais são outros, os interesses também, os líderes nem se fala. Por todo o Mundo esse cenário se reflete (a palavra mais estranha de escrever no novo acordo), uma democracia ilusória, disfarçada sobre uma aristocracia, veja-se a pluralidade quando a Alemanha e a França esquecem o Tratado de Lisboa e decidem para a UE ou quando o G20 decide para o G194. Deixe-se o mundo financeiro para outro dia.
“Cantarei até que a voz me doa”, assim ensinaste ao teu país, à tua terra e à tua gente, Fé tua, Maria, fadista de emoção, portuguesa de coração. Cantem todos comigo e até afónicos teremos voz.
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