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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A esquerda estava indecisa? Agora já não está!

O discurso do nosso futuro ex-Presidente da República não trouxe qualquer novidade ao debate político. A decisão de Cavaco Silva estava tomada há muito tempo, e todos sabiam, à partida, qual seria. Por vontade do Presidente da República, Pedro Passos Coelho governaria nem que tivesse 5% dos votos. Ainda que fosse esse o meu desejo, não foi o que aconteceu. A coligação teve 38% dos votos, e apesar de haver uma maioria de esquerda no parlamento, foi a força mais votada.

Tendo em conta o que aconteceu, não só se compreende, como se aceita, que o padrinho da direita em Portugal tenha chamado os afilhados para formar governo. Esta é uma decisão legítima, que pode ser criticada, mas que, do meu ponto de vista, é a mais acertada. O Presidente da República não pode antecipar-se aos factos, e quem deve derrubar o governo, se for esse o seu entendimento, são os deputados, que o farão ao abrigo da legitimidade conferida por 51% dos eleitores, que expressaram nas urnas uma vontade clara e inequívoca de mudança.

Claro que esta "vontade clara e inequívoca" é subjectiva. Trata-se, neste caso, da minha opinião, da interpretação que faço dos resultados, e poderá estar errada, tal como poderá estar errada a leitura do Presidente da República, que decidiu indigitar um governo minoritário, quando há umas semanas colocou como condição "sine qua non" a existência de acordos entre partidos, para "garantir a estabilidade" da governação.

Perante o acordo pré-estabelecido entre o PS, BE e PCP, Cavaco Silva escondeu a cabeça debaixo da areia, um hábito que lhe é comum, e deu o dito por não dito. Pelo meio, ficamos a saber que não interessa o que os portugueses votam, mas sim o que os mercados pensam. Descobrimos que apenas "forças europeístas" podem governar, independentemente do que acontecer nas urnas. E ficamos informados do grande receio que o Presidente tem relativamente à "queda de confiança dos investidores" (o que terá provocado uma grande gargalhada nos lesados pelo BES).

Em suma, o actual panorama político resume-se a isto:
1) A direita europeia acha que é a grande defensora da União Europeia e do Euro, quando, na verdade, tudo tem feito para destruir estes projectos. Os indicadores não enganam: o crescimento é irrisório, o investimento patético, as desigualdades não param de aumentar e os países da periferia começam a perceber, finalmente, que a austeridade não tem outro propósito que não seja torná-los em fornecedores de mão-de-obra qualificada e barata.
2) O principal receio do Presidente da República é a "confiança dos investidores". Não são os desempregados. Não é a emigração. Não são os pensionistas. São os investidores (não os do BES, certamente).
3) Para o Presidente da República há um milhão de votos que não conta para nada. Porquê? Porque ele acha que essa gente é estúpida, mal informada e extremista. É normal acharmos isso uns dos outros (não será o que achamos de Cavaco?), mas não é o que se espera ouvir de um Presidente da República, cuja principal função é ser isento, e cumprir a Constituição (já não era mau se a conhecesse).
4) O país está dividido, discute o seu futuro, e isso é óptimo. Faltava política neste país, nesta Europa. A democracia não é um fardo, e não tem de estar subjugada a outros interesses que não sejam os da liberdade e os da igualdade. Todas as ditaduras caem. Todas! E a da austeridade não será excepção.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Mas afinal, quem ganhou as eleições?

A questão é simples, a resposta é que não parece consensual. Afinal de contas, quem ganhou as eleições? Como é natural, todos os partidos reclamaram vitória, todos, excepto o PS, que foi o grande derrotado da noite, e está agora numa situação muito complicada.

No Largo do Rato ninguém ensaiou um discurso de vitória, e ainda bem, porque os resultados foram esclarecedores, e não deixaram margem para truques retóricos! O PS não foi capaz de captar os votos da esquerda, e sofreu uma derrota histórica. O sinal é claro, os portugueses querem um PS de centro-esquerda, e não um PS com crises de identidade.

Por falar em deriva, falemos agora da coligação. O PSD e o CDS perderam, imagine-se, cerca de 750 mil votos. Passaram de uma maioria absoluta (50,4%) para uma maioria relativa (38,5%), perdendo grande parte da capacidade governativa. Desvarios como aqueles a que assistimos nos últimos quatro anos deixam agora de ser possíveis, pelo menos sem o aval de parte da oposição. Na televisão, Paulo Portas e Nuno Melo exibiram sorrisos amarelos, e têm razões para isso: o CDS tem agora menos deputados do que o Bloco de Esquerda, e teve resultados muito negativos nas regiões onde concorreu sozinho (3,9% nos Açores e 6% na Madeira).

Oposição forte e severa é o que a coligação pode esperar do Bloco de Esquerda. Catarina Martins foi a grande vencedora destas eleições, conseguindo um resultado histórico, tanto a nível de votos como de deputados. O BE dobrou o número de votos e viu premiada uma campanha de grande nível, onde a sua porta-voz desmascarou as políticas do governo e, nos poucos debates que se fizeram, deixou engasgados os seus responsáveis.

Fotografia de Daniel Rocha, em Público.pt

Sem novidade, a CDU manteve-se intacta, e contribuiu para a suposta maioria de esquerda que o parlamento aparenta ter. Novidade foi a eleição de um deputado por parte do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) que conseguiu, finalmente, e após muitos "quases", colocar um representante na Assembleia da República.

Independentemente das leituras que possam ser feitas, há duas que me parecem claras: 
1. A maior parte dos eleitores demonstrou que a política seguida por este governo não serve os interesses do país. Desta forma, é urgente mudar, sob pena de os portugueses não serem tão benevolentes com a coligação numa próxima oportunidade.
2. Um PS fraco, sem identidade, permite que a direita governe, pelo que urgem mudanças significativas que devolvam ao Partido Socialista a credibilidade (à esquerda) que parece ter perdido.

Termino com uma questão: poderá o Bloco de Esquerda ganhar consistência e assumir-se como alternativa?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Os falsos independentes e o eterno chico-espertismo lusitano.

Está a terminar mais uma campanha eleitoral, e com ela, claro, findam as polémicas, as intrigas, o oportunismo e a hipocrisia que tão bem caracteriza a politica nacional, ou, se quisermos (porque a politica não é mais do que o reflexo da sociedade), que tão bem caracteriza o povo português.
 
Nestas autárquicas, que atingem o seu clímax no domingo, assistiu-se a uma autêntica proliferação de candidaturas independentes, motivadas, algumas delas, pela perceção dos candidatos de que conseguem fazer melhor pela sua terra, e, quase todas, pela oportunidade de capitalizar o descontentamento e a desilusão da sociedade para com a classe política.
 
Se por um lado existem candidatos que são verdadeiros independentes, porque sempre o foram, e preservam no seu espirito as virtudes e os defeitos provenientes de uma luta politica sem o apoio, a ajuda ou a regulação de uma força partidária, também há aqueles, a grande maioria, que apenas avançaram de forma isolada porque foram preteridos ou expulsos pelo partido, investindo de forma clandestina, mas com a mesma máquina partidária, os mesmos vícios e as mesmas forças ocultas na sua sombra.
 
Sob pena de não sermos tomados por lorpas, é importante distinguir as verdadeiras candidaturas independentes das falsas, aquelas que não têm o símbolo do partido, mas que foram montadas sobre os mesmos alicerces, e com essas é preciso ter ainda mais cuidado, porque não se pode esperar que aqueles que traíram o partido sejam depois leais ao povo que os elegeu.
 
Mas não são só os falsos independentes que se julgam mais espertos do que os outros. Andam por aí candidaturas, que sendo partidárias, tentam passar a ideia de que são meros movimentos cívicos, nascidos e criados do voluntarismo. Esta tentativa de iludir as pessoas, além de mau marketing politico, é a confirmação de uma nova tendência: até aqui os políticos ainda esperavam por uma vitória nas eleições para revelar aos eleitores que os estavam a enganar, agora nem isso.
 
Sim, essas candidaturas podem afirmar que são constituídas por muitos independentes, mas a questão não é essa, até porque isso, todas são. A diferença das candidaturas independentes são a sua autonomia de decisão e a liberdade dos seus ideais, que nunca serão possíveis quando existe um partido na jogada. Saliento que não estou a dizer que uma candidatura independente é melhor do que uma candidatura partidária, ou vice-versa, o que está errado, é o candidato de um partido tentar passar por independente, ou um candidato independente tentar passar por um de um partido.
 
De repente desapareceram os cartazes cor-de-laranja, os emblemas dos partidos foram relegados para um canto (quando aparecem), e as candidaturas passaram a ter nomes de movimentos pomposos, como se os próprios militantes estivessem envergonhados com o que suportam e apoiam. É uma espécie de contrassenso, estas pessoas querem que os partidos as apoiem, mas não querem ser apoiadas por partidos. Na tentativa de conquistar os insatisfeitos, acabam por passar uma imagem pouco séria e leal, acabando, possivelmente, por afastar aqueles que, à partida, poderiam rever-se na candidatura. É o chico-espertismo lusitano, em todo o seu esplendor.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Hipocrisia Institucional.

Por destempero emocional, ou hipocrisia intelectual, o vice-presidente do PSD, Marco António Costa, veio a público acusar o FMI de hipocrisia institucional, por estar, ao mesmo tempo, a fazer uma coisa e a dizer outra. Dois anos depois, o partido que apoia o Governo parece finalmente ter acordado de um longo e profundo sono, e está agora disposto a aceitar a verdade. Sim, a austeridade falhou, o neoliberalismo foi contra essa dura e incómoda parede que é a realidade e, lentamente, os economistas dos números vão sendo obrigados a pensar um pouco nas pessoas, não porque tenham percebido o que é a economia ou admitido o grande erro que cometeram, mas porque este cheiro nauseabundo a pobreza, que vai pairando sobre nós, começa a entranhar-se nos fatos e nas gravatas, o que, de certa forma, acaba por incomodar.
 
O mais estranho é que o PSD e o CDS sempre estiveram com a Troika, prometeram, inclusive, ir além da Troika no que à austeridade diz respeito, e agora, porque se aproximam eleições, ou simplesmente porque o desnorte é tanto que já não sabem o que dizem (muito menos o que fazem), vêm aldrabar as pessoas, dizendo que, afinal, eles até já sabiam que este não era o caminho, simplesmente foram obrigados a segui-lo por inflexibilidade dos forasteiros. Querendo ir para o Porto, a Troika virou em Ponte de Lima em direção a Valença, e o PSD e o CDS, os dois sentadinhos no banco da frente, um ao colo do outro, sabendo do engano, nada disseram. Por satisfação ideológica, cobardia institucional ou incompetência crónica, deixaram a Troika fazer o seu caminho, e só quando chegaram a Valença se lembraram de gritar: ALTO, QUE VAIS ENGANADO! Valha-nos, pelo menos, o pragmatismo de Vítor Gaspar, que saindo desta viagem a meio, não chegou a ver os Clérigos, como era seu objetivo, mas também não tomou o Castelo de Valença pela Serra do Pilar, conservando, ainda assim, algum do seu caracter político.
 
Claro que não faz sentido o economista chefe do FMI elaborar um relatório a criticar a austeridade, e depois os técnicos aplicarem-na como se não houvesse amanhã, mas o que realmente aborrece o PSD (e o CDS) é que, sem o apoio da Troika, deixa de haver uma desculpa para se desmantelar tudo o que é público. Se o Governo fosse contra esta austeridade, há muito que tinha colocado um travão no experimentalismo de que estamos a ser alvo. Mas não, este Governo apoiou esta politica, aceitou-a como sua e colocou Portugal mais pobre e desigual, e por isso, falar de hipocrisia institucional não passa de hipocrisia politica.
 
Além disso, é claro que ver o FMI admitir que se enganou é motivo de embaraço, diria mesmo vergonha, para os partidos que estão no poder, e que sempre fizeram da austeridade uma bandeira. O Governo, que está perto do que se está a passar, não percebe que tudo ficou pior desde que entrou em funções, e o FMI, que vem cá esporadicamente, é o primeiro a admitir que as coisas não estão a resultar. Ridículo!

sábado, 6 de abril de 2013

CHUMBADO!!!

Sem grandes surpresas o Tribunal Constitucional chumbou uma série de medidas existentes no Orçamento de Estado para 2013, colocando em xeque a execução orçamental que, por si só, já era praticamente impossível de cumprir. Sendo que já terminou o primeiro trimestre do ano, o Governo está agora numa situação extremamente delicada, uma vez que, não só terá que devolver aos funcionários públicos e aos pensionistas tudo aquilo que lhes roubou, como terá ainda que arranjar medidas alternativas para recolocar o défice em linha com aquilo que seria expectável no início do ano.

Vivemos num país tão patético e com gente tão ignorante, que o Presidente do Tribunal Constitucional teve que explicar a jornalistas e políticos, que a lei é que tem que se adaptar à Constituição, e não o contrário. Pelos vistos a notícia rebentou que nem uma bomba no seio do Governo e, aparentemente, até Vitor Gaspar já veio dizer (qual criança mimada) que se não for ele a inventar as regras do jogo, não vai dar para continuar.

Claro que esta possibilidade de continuar só se coloca porque o país é presidido por uma múmia. Se respondesse perante um verdadeiro Chefe de Estado, o Dr. Pedro Passos Coelho estaria já a fazer as malas para sair de S. Bento. Convém não esquecer que os dois orçamentos elaborados por este Governo foram considerados inconstitucionais, o que, na prática, representa uma total falta de respeito por aqueles que são, à luz do direito, os princípios básicos da nossa democracia.

No meio desta palhaçada toda, resta-me questionar porque é que o Presidente da República não pediu a fiscalização preventiva do orçamento, quando toda a gente apontava para a existência de inconstitucionalidades graves no documento. Agora estamos quase a meio do ano, não temos politica económica, não temos um caminho para onde seguir e nem sequer temos orçamento. Vêm aí mais medidas de austeridade elaboradas em cima do joelho, sem qualquer fundamentação cientifica e que vão penalizar, claro, os suspeitos do costume.

sábado, 23 de março de 2013

Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!

E eis que, erguendo-se da mais obscura sepultura, o CDS regressa ao mundo dos vivos. O silêncio com que nos tinha brindado nos últimos tempos foi substituído por uma indignação profunda. O partido de Paulo Portas voltou a dar sinais de vida, e isso é bom, porque num momento tão difícil como aquele que atravessamos, o país necessita de partidos políticos activos, que contribuam com ideias e projectos.

Curioso e entusiasmado por voltar a ver o CDS nas páginas dos jornais, aproximei-me mais um pouco para perceber qual era afinal o motivo de tanto descontentamento. Seria o desemprego? As portagens que estão a castrar o desenvolvimento das regiões mais pobres? Talvez fossem as privatizações a preço de saldo, ou a pressão inadmissível do "Governo" sobre o Tribunal Constitucional...

Nada disso! Afinal o descontentamento do CDS tinha uma única razão de ser: o regresso de José Sócrates à RTP. Com tanta coisa que vai mal em Portugal, o CDS/PP regressou do mundo dos mortos para chamar o director de informação do canal público ao Parlamento, exigindo que explique a contratação do antigo primeiro-ministro. De facto deve ser confuso para quem trabalha na RTP perceber o que é que as pessoas querem. Primeiro irritam-se por não dar lucro, depois, quando há uma manobra de gestão simplesmente brilhante, indignam-se na mesma.

Que os consumidores da RTP façam uma petição a manifestar o seu desagrado (ou o seu contentamento) com a contratação do antigo primeiro-ministro é perfeitamente normal. Ver partidos políticos a indignarem-se com actos de gestão NÃO DANOSOS de empresas públicas é que acaba por ser caricato. Principalmente tendo em conta o passado recente...

No meio disto tudo a pergunta que se impõem é só uma: estará o CDS convencido de que a actual coligação está, de facto, a governar bem?! Até tenho medo da resposta!

domingo, 17 de março de 2013

Mãos ao ar! Isto é um assalto!

E se de repente o Governo se lembrasse de dizer: "Meus amigos, vamos ficar com 7% do dinheiro que têm depositado nas vossas contas bancárias!". Seria absurdo! Certo?! Bem, aparentemente não! Pelo menos a avaliar por aquilo que se está a passar no Chipre, onde o plano de resgate para "salvar" o país da bancarrota engloba o maior roubo do último século!

Não são só os Cipriotas que estão chocados. Basicamente, qualquer pessoa com um palmo de testa entende que isto é um roubo sem precedentes, e mais um passo rumo à anarquia financeira tão apregoada pelos neo-liberais que estão a destruir a União Europeia. A medida é fácil de aplicar: os bancos irão transferir, sem qualquer aval dos seus clientes, 6.7% ou 9.9% do montante existente nas suas contas bancárias, dependendo se estas têm valores inferiores ou superiores a 100 mil euros.

Mas isto não é tudo! Apesar de a medida ainda não ter sido aprovada no Parlamento, os cipriotas estão a ser impedidos de levantar as suas poupanças, uma vez que as contas foram bloqueadas, no sentido de proibir movimentações que impeçam a tributação dos montantes acima descritos.

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que isto é uma clara violação das liberdades individuais do povo cipriota. É um roubo descarado, patrocinado pelas principais instâncias internacionais, que nos seus estatutos têm a preservação da justiça e da paz como principais objectivos. Não podemos compactuar com este tipo de políticas! Será que esta gente endoideceu de vez?! Não há ninguém que se insurja contra esta escória?! Onde é que estão os lideres europeus? Onde é que estão as pessoas que projectaram a União Europeia?! Como é que um Governo pode aceitar uma medida destas para o seu povo?! E o Chávez é que era ditador?! Não brinquem com as pessoas...

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Facturas", "Grândola Vila Morena" e o incrível "E Então?!".

Desde que Pedro Passos Coelho e a coligação PSD/CDS-PP chegaram ao Governo a legislatura tem alternado entre semanas más e muito más. Desde a tentativa de colocar as pessoas a trabalhar mais meia hora por dia, até àquela medida lunática de baixar a TSU à custa dos trabalhadores, tudo o que é feito pelo Governo tem o dom de levar os portugueses ao limite das suas estribeiras. 

Até medidas positivas, como a obrigatoriedade de emissão de factura por parte das empresas, são estragadas logo a seguir com atitudes tais como sancionar os clientes que não peçam o documento. Que coisa absurda! Então os clientes é que vão ser inspeccionados?! Abordarem-me ao sair de um estabelecimento para ver se pedi factura não é só absurdo, chega a ser provocante. Temos o consumo a cair a pique e ainda vamos tratar os consumidores como se fossem criminosos?! Mas estará tudo doido?!

Em termos de oposição às politicas ridículas que estão a ser implementadas, e que nos vão deixar bem vistos lá fora, mas com fome cá dentro, esta foi uma das minhas semanas favoritas. Para saber porquê, sugiro que visitem as três hiperligações seguintes (basta carregar):
Estes são apenas mais três sinais, entre os muitos que já foram dados, de que a sociedade civil está farta deste Governo. É urgente que as forças politicas existentes se apressem a apresentar soluções ao país. À esquerda ou à direita, é importante que apareçam alternativas viáveis. Elas existem e só estão à espera de alguma coragem para sair da gaveta.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A limitação dos mandatos aurtárquicos e a dificuldade em largar o poder.

Numa altura em que a popularidade dos políticos se encontra perigosamente em queda, a classe continua a demonstrar uma profunda e chocante falta de ética.O último capitulo desta fastidiosa novela prende-se com a forma pouco séria com que alguns autarcas decidiram interpretar a lei à sua maneira, numa tentativa clara de se perpetuarem no poder.

A minha opinião relativamente a este assunto é muito clara. A falta de rotatividade na liderança de qualquer tipo de organizações provoca vícios e compadrios que prejudicam as mesmas. A execução de um projecto exige tempo e paciência, mas as organizações não se podem confundir com as pessoas, e quando uma ideia tem sucesso pode ser seguida e orientada por diferentes equipas. Gente que se amarra ao poder acaba por prejudicar as instituições uma vez que a inércia provocada pelo desgaste adquirido ao longo do tempo é inevitável.

Desta forma, candidaturas como a de Luís Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto e de Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa são simplesmente patéticas, e demonstram que os actuais partidos políticos não só não se conseguem renovar, como estão totalmente alheados daquilo que se passa à sua volta. Espero, sinceramente, que estes senhores sejam copiosamente derrotados nas urnas, e que aprendam de uma vez por todas que o associativismo autárquico é um serviço que se presta ao país, e não uma carreira.

Não podemos passar o tempo a dizer mal dos políticos e depois deixar que estas pessoas se amarrem aos cargos que ocupam. A renovação é indispensável para que a cidadania e a democracia funcionem. Independentemente de terem realizado, ou não, um bom trabalho, é importante que a classe politica se renove, e que seja dada a oportunidade para que novas pessoas contribuam para o desenvolvimento do nosso país. Dois mandatos chegam, depois há que pensar numa nova forma de encarar o futuro. Não queremos pessoas amarradas ao poder como se de lapas se tratassem. Mudar de rumo depende da resposta que dermos nas urnas, por isso pensem bem antes de votar.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O regresso aos mercados!

Um ano e alguns meses depois de assumir o leme do país, o actual governo parece estar satisfeito por poder afirmar que Portugal irá, ainda este ano, regressar aos mercados. Ter condições para se financiar no mercado primário é, de facto, uma boa noticia, no sentido de que este é um regresso à normalidade. Por norma, os países financiam-se junto dos mercados financeiros, renovando a sua dívida à bolina das taxas de juro estabelecidas em função da oferta e da procura. O que isto significa, na prática, é que deixaremos de nos financiar junto da Troika, para o fazermos junto de investidores privados.

O problema é que foi precisamente a ineficiência dos mercados financeiros que nos meteu na situação em que estamos. Portugal parece a esposa que leva pancada em casa, e que depois de uma temporada em recuperação fica feliz por voltar para junto do marido agressor. 

Metáforas à parte, regressar aos mercados só vai complicar ainda mais a nossa situação, uma vez que a economia (aquela coisa que os investidores avaliam para decidir se nos hão-de emprestar dinheiro ou não) está completamente destroçada. 

É oficial: estamos a ser governados por doidos. A depressão, tudo indica, será maior do que o esperado; o desemprego prepara-se para ultrapassar os 20%; os trabalhadores qualificados não param de emigrar; a miséria alastra a ritmos alarmantes e já nem as exportações, o único indicador económico com tendência positiva, parece ter margem para aumentar. Ainda assim, a coligação faz uma grande festa por regressar aos mercados, como se isso significasse algo de bom.

O que à partida poderia ser positivo é, na realidade, mais um passo rumo ao abismo. Ficando à mercê da volatilidade dos mercados financeiros, as condições de financiamento serão sempre uma incógnita, já para não falar que ficaremos reféns dos investidores e interesses estrangeiros. Derrubar o Governo poderá significar subidas exorbitantes das taxas de juro, tal como chumbar um orçamento de Estado ou tomar qualquer outra medida que, à luz do nosso direito como país independente, é perfeitamente legitima.

Amigos Pedro e Victor, abram a pestana. Eu sei que vocês acreditam nessa história de que os mercados são justos e leais, mas pelo menos tenham a decência de admitir que a coisa não tem funcionado. É que se nem nós, altamente prejudicados pelos joguetes da alta financia nos queixamos, quem é que vai dar o primeiro passo para o fim desta ditadura que está a tomar conta da Europa e do Mundo?! Os portugueses estão fartos disto, e vocês não foram eleitos para dizer aquilo que acham, foram eleitos para representar Portugal. Por favor, já chega!

sábado, 17 de novembro de 2012

Uma mentira repetida mil vezes...

Goebbels, ministro da propaganda nazi, disse um dia que uma mentira repetida mil vezes torna-se realidade. Afirmar que os portugueses têm vivido acima das suas possibilidades é uma dessas falácias absurdas, que tem conquistado adeptos nos últimos tempos. Desde reputados banqueiros, até insuspeitáveis dirigentes de instituições de solidariedade social, vários são os indivíduos que aparecem na comunicação social a tentar transmitir a ideia de que a culpa do estado miserável em que nos encontrámos é do vulgar cidadão.

Quando dizem que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, penso sempre no caso particular da minha mãe, que faz parte dos 10% de população activa que recebe o salário mínimo nacional. Talvez não choque o facto de tanta gente viver com tão baixo rendimento, principalmente porque existe uma dificuldade crónica em perceber o que isso significa.

O SMN representa um vencimento bruto de 485€, aos quais são descontados 53,35€ para a segurança social (11%). Assumindo que o subsidio de alimentação é dado em espécie e que não existem custos associados ao desempenho das suas funções (ex: despesas de transporte), o trabalhador leva para casa 431,65€. 

Tendo em conta que o tempo de trabalho normal são 160 horas mensais, podemos concluir que um individuo que usufruiu do salário mínimo nacional recebe 2,70€ por hora. Isto significa que, para ir ao cinema, 10% dos portugueses têm que trabalhar cerca de 2 horas (mais do que a duração do filme). Beber uma cerveja custa 20 minutos de labuta e comer um Big-Mac equivale a 2 horas de trabalho...

São pequenos exemplos que demonstram a dificuldade que é viver com tão baixos rendimentos. Reparem que, neste momento, pelos menos 25% da população activa portuguesa vive com restrições orçamentais deste género, já que a taxa de desemprego se situa nos 16%.

Podemos continuar a acreditar que vivemos acima das nossas possibilidades, mas nesse caso estaremos a admitir que beber um café, ir ao cinema, praticar desporto ou ir ao médico são luxos que apenas devem estar ao alcance de alguns. É esse o futuro que queremos para Portugal?!

domingo, 7 de outubro de 2012

O circo de Outubro.

Foi um autêntico circo aquilo que no passado dia 5 de Outubro aconteceu nas cerimónias oficiais da implementação da República. A ausência do primeiro-ministro, a mudança do local das comemorações, a bandeira hasteada ao contrário (como é que é possível), a intervenção desesperada de alguém que já não sabe onde procurar ajuda... tudo isto veio reforçar a ideia de que o nosso país está perto de um apocalipse sócio-cultural, e que o abismo está tão próximo que andar para a frente deixou de ser opção.

Se não estivéssemos a falar do nosso próprio país, estes acontecimentos seriam até divertidos, mas como o que está em jogo é a nossa identidade, o nosso orgulho e a nossa nação, situações caricatas como as do passado dia 5 são simplesmente imperdoáveis. Se me contassem que a bandeira do meu país havia sido hasteada ao contrário, pelo representante máximo da nação, eu não acreditaria. A carga simbólica foi demasiado pesada, e o momento que atravessamos não se coaduna com equívocos desta ordem.

Em fuga pelo estrangeiro, o primeiro-ministro demonstrou, mais uma vez, a sua fraca cultura e o défice patriótico da sua governação. Estar presente nas comemorações do 5 de Outubro é uma obrigação do chefe de governo, porque a história de Portugal merece respeito, e quem não a honra não tem legitimidade para exigir nada dos portugueses.

A opção de privar o povo de participar nas comemorações, tomada pelo presidente da Câmara de Lisboa, foi outro grande disparate. Numa altura em que a classe política precisa urgentemente de se reaproximar das pessoas, ideias disparatadas como esta contribuem para a descredibilização dos políticos, e fazem com que o sentimento de desconfiança por parte do eleitorado aumente ainda mais.

Os republicanos jamais perdoarão o atentado desta coligação contra a memória da sua acção. A extinção do feriado relacionado com a revolução republicana irá, certamente, dar que falar nos próximos anos. Fica no ar a ideia de que a própria identidade nacional se virou contra o governo, e pelo menos a bandeira, teve a oportunidade de manifestar a sua indignação. Não é que eu acredite em bruxas, mas...

sábado, 29 de setembro de 2012

É a Economia, estúpidos!

Que esta austeridade não nos vai levar a lado nenhum torna-se cada vez mais evidente. Mesmo os apaixonados por modelos económicos que centram nos números e nos gráficos a atenção que deveria ser direccionada para as pessoas, parecem estar cada vez mais convencidos de que algo falhou. Infelizmente, os resistentes, os que ainda esperneiam, por ignorância ou casmurrice, justificam o falhanço das suas politicas neoliberais com o argumento de que o povo não estava preparado para se sacrificar pelo país. Das duas uma, ou têm acesso a informação que mais ninguém tem, ou são completamente desprovidos de cérebro...

Dizer que a austeridade é a única solução para tirar Portugal do buraco em que se encontra é completamente falso. Não há Troika nem Governo que nos possa impor aquilo que não queremos, e neste momento, os portugueses, tal como os espanhóis e os gregos, não querem pagar uma dívida que não é só da sua responsabilidade.

Não fossem os joguetes financeiros, praticados nas grandes praças mundiais, e esta crise nem sequer tinha começado. Dizem que vivemos acima das nossas possibilidades?! Quem é que pressionou as pessoas para adquirirem crédito? Quem é que permitiu a criação de paraísos fiscais? Quem é que especulou em bolsa? Fomos nós?! Ou terão sido os agentes financeiros que agora nos exigem, de forma inflexível, o pagamento de uma crise motivada pela sua exuberante ganância e sede de poder?!

A nossa legitimidade para dizer que não queremos mais austeridade é total. Sem austeridade não conseguimos pagar a dívida?! A verdade é que com austeridade ela também não será paga, uma vez que irá originar cada vez mais recessão, o que, por sí só, faz aumentar o défice, e consequentemente a dívida pública. Ora, se o Estado continuar a adoptar a mesma receita, irá exigir mais austeridade, e a recessão será cada vez maior, tal como o défice e a dívida pública... Pois, e o desemprego! É a economia, estúpidos!

Existe então alguma alternativa para sairmos desta situação calamitosa? Sozinhos será difícil, mas com a ajuda da União Europeia a coisa pode acontecer. Primeiro é necessário cortar o mal pela raiz, e regular os mercados financeiros, de forma a que a sua importância não ultrapasse a do bem estar social. Depois, é urgente limitar os custos da dívida de países em situação económica complicada, é inconcebível que a sobrevivência de um Estado possa estar na mão de interesses financeiros. Por fim, mas não menos importante, é urgente adoptar políticas expansionistas nos países em recessão, mesmo que isso provoque (e provocará, com certeza) o aumento da dívida. Só depois de termos crescimento nesses países é que poderemos pensar no cumprimento dos nossos compromissos.

Internamente, Portugal só tem um caminho: denunciar o memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia (baseando-se no falhanço total das políticas propostas), exigir mais tempo para pagar a dívida e, porque não, renegociar o seu montante, já que, mesmo os juros cobrados pela Troika, são usurários.

Há quem diga que não temos poder negocial para exigir tais condições. Pensem numa União Europeia sem Portugal, Grécia, Espanha e Itália, e rapidamente chegarão a outra conclusão. Nunca o Euro sobreviveria sem estes quatro países (dificilmente sobreviverá sem um deles), e isso teria consequências negativas para todos. É preciso colocar as cartas que temos em cima da mesa, porque a cada dia que passa, elas valem cada vez menos, como tudo no nosso país!


sábado, 22 de setembro de 2012

Um sonho que virou pesadelo!

"Uma maioria, um governo, um presidente!" 

Quando Sá Carneiro, fundador dos sociais-democratas, confessou ser este o seu sonho para o país, estaria longe de pensar que o mesmo se tornaria no pesadelo de milhões de portugueses. Se estivesse vivo, não tenho dúvidas de que seria o primeiro a retratar-se do caminho para o qual esta coligação nos leva; estando morto, resta-nos esperar que a sua alma permaneça em paz, vivendo eternamente sem a vergonha de quem deixou uma tão fraca sucessão.  

Que a maioria está ferida de morte, já toda a gente sabe. Pedro Passos Coelho deslumbrou-se com a facilidade com que, durante um ano, foi implementando as suas politicas neo-liberais. Tomou o povo por estúpido, e isso, já se sabe, é um erro fatal para qualquer Primeiro-Ministro.

O amigo, Paulo Portas, já percebeu que o barco está a afundar, e como ratazana graúda que é, saltou borda fora. Uma coisa é um partido anular-se ideologicamente para chegar ao poder, outra, completamente diferente, é ter coragem para assumir as suas responsabilidades nos momentos mais complicados.
 
Que o Governo está ferido de morte, já toda a gente sabe. Manter um pateta-alegre como o Miguel Relvas à frente de um ministério é dar um, dois, três tiros no pé. Uma coisa é ser determinado, outra, completamente diferente, é ser estúpido. Com um braço direito que toda a gente associa à corrupção, não se pode governar, e Miguel Relvas é, neste momento, motivo de chacota nacional.

Ainda assim, este nem sequer é o problema mais grave deste governo. Falta competência e, acima de tudo, humildade. Nuno Crato e Álvaro Santos Pereira eram críticos acérrimos das lideranças anteriores, e agora caíram num marasmo profundo e silencioso, que as pessoas até agradecem, já que quando dão sinais de vida nunca propõem nada de positivo.

Assunção Cristas é uma ministra fantasma, sem experiência nem conhecimentos para liderar o super ministério que lhe puseram nas mãos. Aparentemente, teve direito a um estágio remunerado por conta dos portugueses, já que se desconhecem as competências que lhe valeram um lugar na governação.

De Vitor Gaspar não há muito a dizer. Um técnico extremamente reputado, a quem deram um brinquedo demasiado grande para fazer experiências. Se as suas políticas (e as da Troika) resultassem, ficaria na história, infelizmente para nós, o neo-liberalismo falhou sem nunca ter dado resultado, e agora resta-nos protestar até que deixem de tratar o nosso país como um mega tubo de ensaio.

Para falar dos outros ministros é preciso esforço e agilidade mental, já que tirando Paulo Macedo, poucos ousaram aparecer, talvez envergonhados com o desempenho dos colegas. Talvez voltem a falar deles quando forem demitidos.

Que o Presidente está ferido de morte, já toda a gente sabe. A forma como Cavaco Silva chegou ao Palácio de Belém é, para mim, um dos maiores mistérios políticos do nosso país. Depois de ter sido um horrível Primeiro-Ministro, conseguiu fazer ainda pior enquanto Chefe de Estado. Numa altura em que Portugal necessitava realmente de um Presidente da República, tudo o que temos é uma espécie de boneco, que olha para os portugueses com ar superior e se limita a ler os discursos que lhe escrevem.

O sonho de Sá Carneiro está a destruir Portugal! É urgente acordar do pesadelo e redefinir estratégias para o nosso país. Não podemos deixar que nos tratem como idiotas. Esta maioria, este governo, este presidente não servem... está na hora de escolhermos outros... e que sirva de exemplo, para que os que são iguais não ousem aproximar-se do poder.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O estatuto do excluído.

O novo Estatuto do Aluno vai ser apresentado ao Parlamento nas próximas semanas, mas tendo em conta que já são públicas as primeiras linhas do projecto, podemos, desde já, começar a esmiuçar o assunto. E a primeira conclusão é muito simples: estamos perante (mais um) projecto realizado por idiotas.

A ideia de retirar apoios sociais aos encarregados de educação dos alunos faltosos e indisciplinados é simplesmente patética. Se vamos castigar financeiramente os pais pelo comportamento dos alunos, então não podemos perder mais tempo: as más opções de quem governa devem ser punidas por lei. E já agora, convém retirar os "apoios sociais" aos deputados que fazem gestos e comentários indecentes no Parlamento, e que faltam às sessões no plenário.

Alunos com carências afectivas e excluídos socialmente devem ser acompanhados e reintegrados, cabendo à Escola e ao Estado, o trabalho que, por diversas razões, os encarregados de educação não conseguem ou não querem fazer. Se a omissão educativa por parte dos tutores legais das crianças é, e deve ser, criticada socialmente; não me parece que o mesmo comportamento por parte do Estado possa ser encarado de forma positiva.

O mais engraçado é que este tipo de idiotices vem de um Governo, liderado por uma pessoa que, segundo se sabe, não era propriamente um exemplo de assiduidade. Oh vida, como és irónica...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Au revoir, Sarkozy?!

Os franceses vão, no dia 6 de Maio, eleger quem irá comandar o destino dos gauleses nos próximos 5 anos. Numa altura em que a União Europeia está a atravessar a maior crise de identidade da sua história, o acto eleitoral francês pode ser o ponto de viragem no desnorte europeu.

Se a França virar à esquerda, Angela Merkel e os seus conselheiros deixarão de ter "via verde" no que diz respeito à política económica. O monetarismo deixará de ser bajulado, e haverá, finalmente, uma resistência credível às politicas neo-liberais que tão péssimos resultados têm apresentado.

Se François Hollande derrotar Sarkozy, o socialismo moderno tem uma nova oportunidade para se impor e, assim o espero, salvar esta Europa desnorteada onde já não há lugar para a democracia nem para o humanismo. Eliminar do mapa a liderança franco-alemã que nos precipitou para o abismo é o primeiro dos passos para recuperar um desígnio, que já foi o mais belo projecto político e económico da humanidade.

E para Sarkozy, que tratou os imigrantes como se fossem "coisa ruim", espero que o próximo domingo lhe reserve uma derrota frustrante; se possível, por um voto apenas; o daquele homem que conseguiu escapar à deportação, e ganhou o direito de expulsar do poder um dos piores líderes europeus de que há memória.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O ataque aos piegas e a hipocrisia alemã.

Durão Barroso disse, esta semana, que Portugal está a viver uma situação de emergência social. Acusado por muitos de ter abandonado o nosso país em troca de um "tacho" na Comissão Europeia, o político social democrata (ou ex-social democrata, tendo em conta que, ideologicamente, este PSD está a bater no fundo) demonstra agora conhecer melhor a realidade portuguesa do que, por exemplo, Pedro Passos Coelho.

Muitos vão dizer que Durão Barroso está apenas a ser "piegas". Tal como os idosos que morreram abandonados, os jovens que deixaram de estudar por não ter dinheiro e os trabalhadores qualificados que não encontram uma oportunidade para ajudar o país, também o Presidente da Comissão Europeia embarcou no navio do sentimentalismo bacoco e da "pieguice" ordinária. Afinal de contas, os únicos que estão numa situação limite são os políticos, que ganham pouco, mas não se queixam.

Ao mesmo tempo o desemprego continua a aumentar e os juros da dívida pública não param de subir (o que deixa antever o fracasso da missão da Troika em Portugal). A teoria económica é clara: as políticas adoptadas servem única e exclusivamente os interesses do eixo franco alemão, e sem crescimento, os países periféricos vão continuar a afundar-se.

Numa Europa construída em conjunto, argumentar que cansa suportar a dívida dos outros é uma incrível falácia, principalmente se tivermos em conta que a Alemanha está como está, não pelas virtudes excepcionais do seu povo, mas porque grande parte da dívida herdada nas duas grandes guerras foi perdoada. A este respeito aconselho a leitura de um artigo publicado no "The Guardian", que demonstra bem a hipocrisia alemã no caso da dívida grega: http://bit.ly/m2yuII.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Desacordo Ortográfico.

As ordens dadas por Vasco Graça Moura, Presidente do Centro Cultural de Belém, para que se deixe de utilizar o "novo" Acordo Ortográfico na Instituição, voltou a colocar o polémico tratado de 1990 em discussão.

Aclamado por uns como sendo uma evolução necessária e natural da nossa língua, e odiado por outros por se tratar de um "achincalhar" da cultura portuguesa, o Acordo Ortográfico continua, ao fim destes anos todos, sem conseguir obter o consenso da opinião pública portuguesa.

Nunca liguei muito ao assunto, até experimentar escrever com as novas regras em vigor. Na verdade, em conversas de café, sempre defendi a visão de quem ratificou o tratado. Compreendo perfeitamente que, numa sociedade tão globalizada, a aproximação da nossa língua à realidade brasileira, muito mais expandida pelo mundo, possa trazer vantagens económicas e culturais.

Contudo, a minha opinião mudou à medida que fui tentando alterar a minha forma de escrever. O Acordo Ortográfico é pouco intuitivo, dificulta o raciocínio e choca pela sua falta de estética e classe. Tudo isto é, obviamente, fruto de um hábito e de uma concepção da língua portuguesa que está enraizada no espírito de quem gosta de escrever em português. Mas qual é o problema desse preconceito?! Se as pessoas não gostam desta forma de expressar os seus pensamentos, como poderá ela vingar num futuro próximo ou longínquo?

É por isso que esta questão merece um debate sério. A nossa língua define-nos como povo. É verdade que a ortografia que eu utilizo não é igual à que estava em vigor quando Camões escreveu os Lusíadas, mas essas alterações foram introduzidas de forma natural: passaram das pessoas para os livros, e não dos livros para as pessoas.

Urge perceber se os portugueses estão, ou não, de acordo com a entrada em vigor deste Acordo Ortográfico. E se não há outra forma de o descobrir, então que se faça um referendo. Se referendamos algo tão relativo como o aborto (que, do meu ponto de vista, nunca deveria ser referendado - aborta quem quer, quem não quer não aborta) porque não decidir, livremente, como queremos continuar a escrever a História de Portugal?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os líderes devem estar loucos.

Estamos perante anos importantíssimos da história mundial. O período que vivemos vai ser recordado durante muitos anos, infelizmente não pelos melhores motivos. Quando olharem para trás, os nossos descendentes irão recordar os líderes actuais com o mesmo tom jocoso com que nós imaginamos pessoas a atirar baldes de urina pela janela ou mulheres a arderem na fogueira por suspeitas de bruxaria.

A ideia de querer limitar o défice dos países a 0,5% do seu PIB é mais uma ideia absurda que só faz sentido na cabeça oca das pessoas que estão no poder. O que está acontecer na Europa é completamente ridículo. Limitar o défice sem ter em conta as especificidades de cada país, é uma violação grave dos mais básicos conceitos económicos. De repente os líderes mundiais abandonaram a ciência, e estão simplesmente a inventar, como se as pessoas fossem ratos e a Europa fosse um enorme laboratório para experiências.

A política económica definida pela Troika para Portugal é absurda. Desde que o país aceitou a intervenção externa, os índices económicos agravaram severamente. O Portugal de Passos Coelho está bem pior que o Portugal de José Sócrates. O desemprego aumentou, as taxas de juro da dívida pública bateram novos máximos e o crescimento económico caiu a pique. De repente, os analistas que mostravam bonitos gráficos e justificavam o mau estado das contas públicas com a má politica governativa desapareceram, provavelmente à sombra de um cargo pomposo, numa secretaria de estado qualquer ou numa dessas empresas que a direita decidiu privatizar ao desbarato.

Portugal não é um país isolado. Somos pequenos e pouco produtivos. Dependemos do exterior. Dizer que a nossa economia vai melhorar cortando os feriados, aumentando meia hora a jornada laboral ou reduzindo o número de férias é pura ficção. Por sermos tão dependentes do exterior é que devíamos defender o Serviço Nacional de Saúde com orgulho, porque é uma das poucas coisas onde estamos à frente dos outros. Mas não! Orgulho em ser português é só defender o Mourinho e o Ronaldo...

sábado, 14 de janeiro de 2012

Capitais Eurpeias: Guimarães, Braga e... Viana do Castelo.

Há muito que o Norte de Portugal se afirmou como um dos destinos predilectos dos turistas europeus. Apesar do ciclo económico negativo que atravessamos, 2012 promete ser o ano do Minho. A cidade de Guimarães é, juntamente com Maribor, a Capital Europeia da Cultura, e Braga será a Capital Europeia da Juventude. Dois títulos importantes que, sendo bem utilizados, poderão despoletar em ambas as cidades uma dinâmica extraordinária.

Mesmo aqui ao lado, estas duas capitais serão um chamariz turístico importantíssimo. Braga e Guimarães irão tornar-se, pelos menos este ano, destinos de excelência, beneficiando do facto de serem cidades vizinhas. Da mesma forma, Viana do Castelo poderia aproveitar este ímpeto turístico na região para beneficiar com a existência de duas capitais europeias (mais o Porto) a 60 minutos de distância.

Não sei se esse trabalho de casa foi feito, mas ser a cidade costeira mais próxima de Braga e Guimarães torna Viana do Castelo num potencial destino a visitar. Estamos a falar de turistas jovens com grande sensibilidade à agenda cultural. Será que a nossa cidade vai, este ano, adoptar uma politica de rejuvenescimento, ou irá continuar a seguir o seu rumo sem dar importância às oportunidades que a rodeiam?!

Nem sempre é fácil criar uma dinâmica cultural devido à escassez dos recursos. O Alto-Minho tem, sem dúvida, dificuldades financeiras que não nos permitem competir com outros centros urbanos. Todos os dias vejo pessoas a queixarem-se que Viana é uma cidade fantasma, que faltam bares, que falta animação.... Não vejo isso como um problema. É óbvio que, numa zona onde ainda há pobreza (pobreza a sério) não podemos ter politicas centradas na cultura... Mal seria!!! Contudo, há que aproveita estas pequenas oportunidades. Não temos recursos para dispensar, mas podemos aproveitar o que os outros gastam. Até prova em contrário, sou da opinião que é possível fazer mais com muita imaginação e pouco dinheiro, do que com muito dinheiro e pouca imaginação.