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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O fim da Portugalidade?




Ainda agora comecei a escrever este texto e já sinto um conforto a aquecer-me a alma. Adoro regressar ao passado, e enquanto me desloquei ao austero armário do corredor da minha casa para pegar numa enciclopédia "viajei" até ao meu ensino primário, a fragrância tão característica do papel e da capa dura destes livros.


Ora vamos lá ver o que é a Portugalidade: qualidade do que é português; sentido nacional da cultura portuguesa.


Eh pa! Perfeito! Estas concisas definições acabaram de estruturar o meu pensamento. Abram alas para a primeira parte:


"A QUALIDADE DO QUE É PORTUGUÊS"


Ligo e dedico este conceito de Portugalidade a todas as pessoas que em todos os cantos do Mundo defendem, muitas vezes inconscientemente, a boa imagem do nosso país lá fora. Os nossos emigrantes.


Nós não temos, ou fingimos não ter, a noção de como estas pessoas são cruciais na imagem projectada por Portugal numa outra qualquer nação. Basta o João ir de erasmus para a Itália e ser simpático, acolhedor, bem-disposto, enfim "fixe"; para que todas as pessoas que o conheceram, numa qualquer conversa, fiquem exactamente com esta ideia: OS PORTUGUESES SÃO FIXES! O João, sozinho, acaba de converter cerca de 11 Milhões de cabisbaixos portugueses em pessoas bem-dispostas, sorridentes, fixes! Isto acontece de verdade, e para mim revela-se absolutamente tremendo. O mesmo se passa com quem vai trabalhar com mais ou menos escolaridade e decide permanecer num país que não o seu com o desejo de um dia regressar à pátria.


Mas a pátria quer o Sr. Emigrante de volta? Não me parece! É menos um para complicar o nosso tão complexo sistema social. O senhor até pode ser bem recebido pela sua família e amigos, mas o país não o quer cá. Diria mais, cria as condições para que ele não permaneça em solo lusitano. Existe um claro renegar social da nossa classe emigrante, não gostamos muito da sua presença, principalmente quando a dedicação ao trabalho e a uma vida dura além-fronteiras nos traz alguns estrangeirismos. "Lá vem o avec, lá vem o cámon!", dizemos insistentemente. Irritamo-nos com a sua demora em instituições como as finanças ou os correios e estamos tão cegos ao ponto de não percebermos que, quase sempre, a culpa está do lado de lá do balcão. "Nunca mais se vão embora" é a cruel frase mais repetida pelos "portugueses de portugal" no mês de Agosto.


Não defendemos a Portugalidade. Não defendemos a qualidade do que é português. O cancelamento das comemorações do Dia de Portugal (quando é mesmo, vocês sabem?) em vários países de influência portuguesa foi notícia. Há dias foram despedidos professores em várias escolas da Suiça, deixando centenas de alunos sem a possibilidade de aprenderem o português, "devido a uma situação orçamental extraordinária", dizem os políticos gordos. Esses tostões vão custar a perda de muitos portugueses. Portugueses que muitas vezes já não o são no B.I, mas que por força dos pais ou dos próprios, querem manter acesa a chama da pátria, a possibilidade de gritar bem alto e em português. Agora só podem gritar! Mas quem governa não quer saber, porque a Portugalidade não vem sobre a forma de notas e moedas.


Pensamos que os jovens abandonam o país envergonhados pela situação nacional. Mas foram esses mesmos jovens que foram "escorraçados" pela Secretário de Estado da Juventude Alexandre Mestre, clamando a necessidade de os jovens emigrarem. A classe política tem vergonha do seu próprio país, acusa quem está fora, enfim... uma total ausência de valores que me faz fazer "cara de nojo" em frente ao ecrã do meu computador agora mesmo.


"O SENTIDO NACIONAL DA CULTURA PORTUGUESA"

Ou o não sentido, neste caso. Curiosa esta definição pois entendo que este fim eminente da Portugalidade se prende com o abandono cultural geral a que este país se votou. Há responsabilidades políticas neste fenómeno. Dir-nos-ão que a Portugalidade somos nós que a fazemos. Verdade! Todos os dias a fazemos no contacto com as outras pessoas, no nosso brio pessoal e profissional, na nossa conduta além-fronteiras. Mas não é tudo! O João pode ser fixe em Itália, e por isso Portugal inteiro ser fixe para aqueles italianos, mas é uma realidade que não dura para sempre e que se revela manifestamente insuficiente. As altas instituições de Estado, nomeadamente as da Presidência da República, têm que dar um outro tipo de atenção a este problema. Não é deslocando o nosso cavernoso Presidente da República para umas quantas visitas mal planeadas que colocamos Portugal na rota dos acontecimentos, em primeiro plano na agenda.


São necessários eventos, estímulos, medidas que unam todos os nossos emigrantes, de curta ou longa duração, de primeira ou quarta geração, em torno de um valor comum: Portugal! E mais do que eles ninguém quer. Quem está fora sente mesmo muitas saudades (essa nostálgica palavra, a mais portuguesa de todas) seja do tempo, da comida, das discussões de futebol, das praias, dos sotaques... enfim de toda essa massa de valor incalculável o que é a nossa pátria. E são muitas pessoas queridas que estão longe a dizer-me o mesmo e acredito nelas como em mim próprio, pelo que conclui que o orgulho e respeito nacional fazem parte dos nossos emigrantes, está-lhes no sangue! Também já tive a minha dose de cepticismo, confesso. E confessar é prova de humildade, e a humildade prova de carácter. Uau, que bem me sinto!


A verdade é que estamos a chutar, a espezinhar e a empurrar o nosso país para a insignificância. E se há coisa que não somos é insignificantes: ninguém definiu tão cedo as suas fronteiras; descobrimos meio mundo, somos a quinta língua mais falada do planeta, temos um sem número de características físicas e humanas que se assumem como património da humanidade! Pelo amor de Deus, nós só nos revelamos insignificante nas notas e nas moedas, que temos tão poucas!


Ah! Mas agora é só isso que interessa, peço desculpa! Eu e a minha ingenuidade, realmente...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Merkozy e o fim do sonho Europeu


Cuidado! Existe, tem rosto, e quer destruir-nos a todos!

Assisto com profunda tristeza a esta verdadeira bipolarização da Europa. A Europa da Alemanha e da França, o poderio económico aliado à força da influência. Meus caros, o velho continente tem um dono: MERKOZY!

Vi há dias Mário Soares falar com saudade do "sonho Europeu", que ele admite hoje estar destruído. Não podia concordar mais. Não houve na história um projecto democrático (repito, democrático) tão ambicioso, assente numa verdadeira cooperação económica, sem intromissões nos países membros, totalmente soberanos na sua governação.

Mas hoje, volvidos estes anos, o que temos? Talvez seja prematuro atribuir um desfecho, mas estamos claramente mais próximos de um "fracasso" do que de um "sucesso".

Acredito genuinamente que a culpa não é da Europa, pelo menos não na totalidade. Há muitos interesses, muitas "mãos invisíveis" que vêm do nada, mas de todo o mundo, para nos rotular de lixo, procurando recolher-nos, qual carrinha verde. Percebo muito pouco de economia, mas o suficiente para perceber que estas ingerências são inaceitáveis, vergonhosas, condenáveis.

Seja como for, a verdade é que em Portugal vivemos para engordar este fabuloso Merkozy, um grotesco ser que se alimenta de precariedade, servido numa sempre requintada loiça de Troika. É vê-lo a "morfar" os salários dos novos desempregados, regado em azeite de IVA a 23%. E para limpar os beiços, nada melhor do que os nossos subsídios, verdade monstro?

Antes a desilusão das crianças era descobrir que o Pai Natal não existe. Temo que este ano alguns pais tenham que dizer aos seus filhos "meus queridos, as prendas de Natal não existem"

Merci, auf wiedersehen!

sábado, 26 de novembro de 2011

"Num derby tudo pode acontecer", ou um outro qualquer cliché

É dia de clássico. Milhões de portugueses olvidam os seus problemas durante 24 horas (mágico, não?) para se concentrarem neste grande jogo. O esquecimento é tal que há quem pague 65 euros para ir à Catedral. Está caro praticar a fé. Aliás, Jesus pode ser filho de Deus Todo-Poderoso, mas quer-me parecer que o mundano Jorge, que ousa remeter o primeiro nome de Cristo para um reles apelido, vai ter mais importância que o símbolo do Cristianismo daqui a um par de horas.

Primeiro a confissão (que religiosos estamos, Guilherme): sou um orgulhoso sportinguista. Torço pela minha equipa com a paixão que lhe tenho, mas com a moderação e serenidade que o jornalismo trouxe à minha vida. Ora bem, saído do confessionário, aqui ficam as minhas considerações antes do jogo:

- Espero um bom confronto de rivais. Há muito tempo que não se via tanta confiança de parte a parte. Os benfiquistas sentem-se motivadíssimos pelo brilharete em Old Trafford e, a jogar em casa, não esperam outro resultado que não a vitória. O Sporting vem de uma fantástica série de resultados e assenta as mudanças (revolução, mesmo) no seu plantel, equipa técnica e estrutura directiva, numa base de vitórias. Dirão que ainda faltam os jogos ditos "grandes" para averiguar os reais níveis do emblema verde-e-branco. Aos mais cépticos relembro que a Lazio partilha a liderança na Serie A e que o Braga é uma grande equipa, sempre difícil de bater. O Sporting fê-lo.

- Em relação aos onze iniciais, o Benfica perde muito se não jogar com Luisão. O internacional é fulcral na segurança defensiva e sem ele fica a faltar uma voz de comando no sector. A não ser 'bluff', aposto em Miguel Victor para ocupar o lugar. Do meio-campo para a frente fica a eterna dúvida entre Bruno César e Nolito, com vantagem para o brasileiro; e entre Cardozo e Rodrigo. Avanços diferentes, igualmente temíveis, mas penso que Tacuara e o seu bom registo frente ao Sporting vão levar a melhor na cabeça de Jesus. Em relação ao Sporting, mais dúvidas! O meu jogador favorito está fora: Fito Rinaudo. Ele seria a chave para anular Aimar, e quem percebe de futebol entende que isso faria toda a diferença para virar o jogo a favor dos leões. André Santos deverá ser o escolhido. Mas André não é o trinco que a equipa precisa. Rinaudo aparece de frente para os adversários e rouba (quase) sempre a bola. André Santos aparece sempre atrás, a fazer cócegas a quem tem a bola. Os derbys vivem de agressividade, esperemos que Santos jogue com essa intensidade. Matías deve ocupar a direita do ataque e confesso que era aqui que lançaria a minha surpresa para o onze: Carrillo. Dir-me-ão que é um miúdo, que não ajuda a defender e não terá a mentalidade e concentração para encarar um jogo destes. Prefiro ir pelo prático e concreto: Carrillo é rapidíssimo, criativo, cruza bem, é forte não só no um-para-um como no jogo de tabela. E quem é o seu adversário? Emerson, o elo mais fraco da Luz. Aguardemos pelas equipas titulares.

- E ao fim de muitos confrontos, em semana de jogo de futebol fala-se... de futebol! Saúdo as declarações de Domingos e Jorge Jesus a tratarem com um justo desprezo os "fait divers" lançados pela imprensa sobre uma suposta inexperiência do árbitro e um suposto "enjaular" dos adeptos do Sporting que vão estar presentes no estádio da luz. Sim, reforcei o suposto porque ambos os casos me parecem de circo, para ocupar páginas dos jornais. Já agora, e porque vocês já perceberam que gosto de divagar, permitam-me este apelo à imprensa desportiva: se querem um jornal de 48 ou 54 páginas, porque não preenchê-las com outras modalidades, que tanto necessitam da vossa nobre atenção, em vez da quantidade absolutamente ridícula daquilo a que chamo "não-conteúdos jornalísticos"?

- A esta hora já começou a antevisão ao clássico e já perdi a conta aos clichés ambulantes pronunciados pelos "especialistas". "Num derby tudo pode acontecer" ; "Num jogo destes, não há favoritos" ; "A probabilidade é de 50% para cada lado" ; "Não me arrisco a dizer um resultado". Já repararam no não compromisso destas frases? Tão vagos estes senhores, meu deus! Na verdade, as televisões e rádios pagam a comentadores para passar a tarde a dizer banalidades que nos deixam a saber exatamente o mesmo que sabíamos antes de ligar a emissão.

Meus caros, a todos os que se importam desejo-vos um bom jogo!


PS: Ah, querem o meu prognóstico? Muito simples, e esta é uma história verdadeira: esta noite sonhei que o Benfica ganhou 1-0, golo de... Luís Martins. Cruzamento da direita, ninguém intercepta o lance e Luís Martins levanta para Cardozo que tabela de cabeça, abrindo espaço para que o jovem português finalizasse em força! Quando acordei, lembrei-me do sonho e fiquei preocupado. Confirmei se sempre existia um Luís Martins no SLB, disseram-me que sim, que é um jovem lateral-esquerdo, bastante promissor. Fiquei mais preocupado, afinal de contas o lance fazia sentido para uma finalização de um lateral. Comprei o jornal e vi que ele não foi convocado, quase nunca é. Ainda bem!


sábado, 19 de novembro de 2011

"Conheces?" "Não sei. Tem Facebook?"

As redes sociais vieram para ficar, já todos percebemos isso. Mas esperavam um tamanho subjugar humano à web ao ponto de se mudarem comportamentos e até a forma como se estabelecem as relações? Eu não, e tudo isto me "causa espécie", como diriam os milhares de avós do nosso país.

Atenção: os meus propósitos com este texto não passam por criar um "Manifesto Anti-Facebook". Não ouso ombrear com o génio Almada Negreiros, nem creio que sejam ofensas muito próprias desta digníssima rede social. Mas podemos experimentar:

"O FACEBOOK É UM CIGANO!
O FACEBOOK É MEIO CIGANO!
O FACEBOOK VESTE-SE MAL!
O FACEBOOK USA CEROULAS DE MALHA!"

Não funciona, está visto! Voltemos à crónica.

"Conheces? Não sei. Tem facebook?"

Pois bem, quem é que não disse ou ouviu esta frase pelo menos uma vez no último ano? Garanto-vos que serão muito poucos, ainda para mais neste pequeno (e cusco) cantinho à beira-mar plantado.

Confesso que sempre fui fascinado pelos grandes organismos como a CIA ou o KGB. O secretismo e a impressionante quantidade de informação que detêm sobre nós sem que nos apercebamos é incrível. Mas meus caros, vocês até podem ter acesso às conta bancárias, saber onde estamos a toda a hora. Mas saberão Vossas Excelências com quem namora aquele famoso e perigoso criminoso (até rima) e o que ele "Gosta"? Pois não sabem, toca a ir ver ao Facebook, ou ao Twitter ou ao Hi.. não, esqueçam este último!

A verdade é que comportamentos tão prosaicos como combinar-se um café para se contarem as não menos prosaicas novidades da nossa vida estão literalmente em vias de extinção. Tudo porque esta preguiçosa sociedade, com umas recentes tendências muito dadas ao conforto, prefere "navegar" pelo "mural" para "checkar" o nosso "status". Ui, tantas aspas. São as modernices da "web" (porra, outra vez) desculpem-me.

Recordo com saudade o tempo em que para sair à noite bastava uma simples frase: "Às 22h na praça". E a verdade é que toda a gente chegava a tempo, sem atrasos. Agora deixa-se uma mensagem pelo telemóvel ou pelo Facebook, o que for, a dizer que "ah e tal, não sei se poderei ir, digo-te alguma coisa logo" e andamos a enrolar (sim, porque eu não estou livre do pecado) até à hora combinada para dizer... Sssii...Nãaao! Não vai dar". Desmarcamo-nos, e nem pagamos um cêntimo pela mentira. Olha que fácil!

Entendo que o Facebook (refiro-me a todas as outras redes existentes) é um importantíssimo veículo de informação. Podemos chegar a um mar de gente muito rapidamente, estabelecer contacto com quem gostamos e está longe, divulgamos o que fazemos, reunimos contactos etc etc ETC! Sou um entusiasta das redes sociais, quando usada como deve ser. E é por isso que vos peço: não façam do Facebook um mural de estupidez! Partilhem cultura, ideias e informação! Dêm-se a conhecer pelas vossas músicas, filmes ou livros. É verdade que isso não vos vai retirar o rótulo de superficiais. Nem é isso que se pretende. Podem é ser superficiais com classe.

Uma dica: Não digam explicitamente quem são, o que fazem (de banal), quando fazem e porque fazem. Projetem a vossa personalidade, agucem o apetite de todos aqueles que partilham os mesmos gostos. É essa, para mim, a magia do Facebook.

Aliás, vou agora mesmo partilhar este meu texto na minha página. Irónico, não acham? Este foi um post com uma inspiração algo "jazzy". Aqui fica uma das canções da tarde:



PS - Querida juventude, um último pedido: quando acabarem o vosso namoro, não digam que ficaram "viúvos de". A morte dói, e deve ser levada a sério!